A Nossa Senhora da Luz

Primeira imagem de Nossa Senhora da Luz. Escultura em terracota, provavelmente do século 16.

Conta a história que na segunda metade do século XVII a cidade de Curitiba surgiu a partir da criação da vila da Nossa Senhora da Luz. Naquela época, em 1693, havia uma pequena capela onde uma imagem da Mãe da Luz era cultuada por seus milagres. O pequeno povoado planejava fundar uma cidade próximo dali. Uma lenda, conta que com o passar do tempo, os moradores foram percebendo que a imagem da Mãe da Luz tinha sempre voltados os olhos para os campos das araucárias, aos quais os índios chamavam de Curitiba – que em idioma tupi-guaraní pode significar ‘muito pinhão’. Não importava quantas vezes a imagem fosse recolocada, com os olhos voltados para outro horizonte, ela sempre amanhecia olhando para os campos. O povo, por conta de tamanha insistência, começou a interpretar que era de vontade da santa construir a futura cidade naquelas bandas. Não se sabe ao certo se esta decisão implicava ou não em confronto com os indígenas. Mas o registro que se tem é que o cacique Araxó foi chamado e ele então cravou na terra desses campos sua vara, como símbolo de sua ordem, de que naquele local deveria ser construída a futura cidade.

Tela de Theodoro de Bona mostra cacique Tindiqüera escolhendo o local da nova povoação.

Nossa Senhora da Luz dos Pinhais é até hoje – século XXI – considerada a padroeira de nossa cidade. Cidade à qual foi dado o nome indígena de Curitiba

A lenda da fundação de Curitiba, além de um conto religioso, é também um fato histórico pois a imagem cultuada da Mãe da Luz existe e pode ser observada no Museu Paranaense de Curitiba.

Tassiane Correa Fontoura

Tassiane Corrêa Fontoura foi responsável pelos estudos e pesquisas temáticas iniciais do Eu Amo Curitiba e gestora de conteúdo. Tassi, como é chamada pelos amigos, é curitibana e escritora por paixão. Assim ela descreve sua participação no projeto Eu Amo Curitiba: "O projeto tem o dom de proporcionar uma experiência que, além da prestação de informação, contribui de alguma forma para que as pessoas compreendam melhor a sua própria história e a de seu povo e a tomem para si, se apropriando da cidade, seus talentos, tradições e lugares. O que mais me encanta em Curitiba talvez seja justamente esse mistério, essa quantia imensa de manifestações da vida social que eu ainda posso desbravar e conhecer por mim mesma".