Anastácia Monteiro anuncia lançamento do primeiro disco

Pela primeira vez em Curitiba, com show único, a sambista fez show com plateia lotada e músicas inéditas

Foi na terra do Congo capixaba, no norte do Espirito Santo, onde a cantora e compositora Anastácia Monteiro interiorizou a memória afetiva da música que aprendeu dentro de casa e despontou. Com os sambas apreciados pelo seu pai e das melodias tocadas no cavaquinho pelo avô, foi no Rio de Janeiro onde a voz doce e poética de Anastácia ganhou as rodas de samba.

Sair do meu Estado foi um movimento natural. Eu me sentia limitada. Lá é muito bom. Tem músicos excelentes. Mas, não tem um Cacique de Ramos e um pagode da tia Doca que era a minha necessidade de vivenciar”, conta a cantora, para o Eu Amo Curitiba com exclusividade, momentos antes de subir ao palco da Caixa Cultural, como convidada do projeto Samba de Bamba, idealizado pelo produtor e apresentador carioca, Rodrigo Browne. Na próxima edição do evento, no dia 15 de agosto, quem se apresenta no projeto, é o cantor Tomaz Miranda, diretor do bloco de carnaval Simpatia é Quase Amor, um dos principais do Rio de Janeiro.

É a primeira vez no sul. Está uma delícia. É tudo muito lindo”, se deleita a cantora que realizou apresentação única em Curitiba, com ingressos esgotados. Em pouco mais de uma hora, Anastácia conquistou o público. Com início tímido, mas logo rompido com o Congo, sambas românticos em composições próprias e no enaltecer dos clássicos, a ancestralidade e devoção da cantora em sua trajetória é constante. “Fui muito bem acolhida por todos estes músicos no Rio”, rememora e se emociona.

Anastácia está em estúdio gravando o seu primeiro disco com produção de Rafael dos Anjos (Trio Aquário, Galinha Caipira Completa, Jambrosia e Choro Livre). O álbum homônimo tem previsão de lançamento até janeiro de 2018. Com 11 faixas, “Anastácia” traz músicas próprias e composições de Arlindo Cruz, Julio Dom, entre outros amigos bambas. “Eu enxergo o disco com duas vertentes, sobre a minha terra e a mulher empoderada”, revela. Confira abaixo a entrevista na íntegra!

ENTREVISTA com ANASTÁCIA MONTEIRO

A partir de quando a música começa a se manifestar até você se assumir quanto cantora e compositora?

Eu sou de Linhares, no norte do Espirito Santo e eu nunca tive proximidade com a música, no sentido de ter uma família ligada a música. Meu pai ouvia muitos sambas e meu avô tocava cavaquinho em casa. Eu acredito que, dessa memória afetiva de ver ele tocando e curtindo aquilo de uma maneira tão doce, eu interiorizei naturalmente. E comecei a curtir música.

Como foi sair da sua terra natal e ir para o Rio?

Sair do meu Estado foi um movimento natural. Eu me sentia limitada. Lá é muito bom. Tem músicos excelentes, mas, não tem um Cacique de Ramos e um pagode da tia Doca que era a minha necessidade de vivenciar. Fui muito bem acolhida por todos estes músicos no Rio.

Você define a sua música como afro-indígena. Como essa atmosfera está presente na sua vida?

O meu Estado tem muita cultura indígena. Na minha cidade os nomes das ruas são indígenas. E a gente tem uma forma musical que, ao mesmo tempo é um evento que se chama congo ou, congadas. Nesse evento, tem instrumentos que foram utilizados por indígenas e escravos.

E quais são as impressões do sul brasileiro?

É a primeira vez no sul. Está uma delícia. É tudo muito lindo. O clima é gostoso, as pessoas deliciosas, as ruas são largar. É um sonho.

O que você destaca do seu repertório neste show?

Eu destaco o congo, obviamente, um formato que eu tenho o sonho de levar para todo o Brasil. Inclusive vai entrar no meu disco. As músicas de Julio e PC Macabu, Waltis Zacarias que estão na banda. E os clássicos, Cartola, João Bosco, Jorge Aragão, são muitos, não tem como destacar.

Você está no processo de produção do seu primeiro disco, o que você pode adiantar dele?

É um disco que vem para consolidar tudo que vivenciei até hoje. Quando pensei em gravar, queria saber o que seria depois dele. Mas hoje, no meio desse processo, eu estou materializando tudo o que eu fiz até hoje. Um disco de 11 faixas, com composições do Arlindo Cruz, Julio Dom e vários amigos.

As músicas do disco abordam quais temáticas?

Eu enxergo o disco com duas vertentes, sobre a minha terra e a mulher empoderada. A produção é do Rafael dos Anjos e estou fazendo ele de forma independente. Deve sair até o final ou, no começo do ano.

Quais são os sambas essências na sua vida?

Eu não vou te destacar um samba, mas autores. Noca da Portela, uma grande admiração e influência para mim, um querido que eu tenho o prazer de trabalhar e me emociono com as composições dele. Cartola, sensacional. Parece que toda vez quando eu chego na Mangueira para fazer algum trabalho eu sinto ele presente. Candeia, Monarco é tanta gente! Mas eu não posso deixar de falar do Luiz Carlos da Vila, um excelente compositor, de um bairro que a gente mora do Rio. E esses meninos todos da banda são de lá, da Zona Norte. Onde a gente busca criar um cenário de música boa dentro do subúrbio.

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Lucas Cabaña

Lucas Cabaña é jornalista e produtor cultural. Radicado em Curitiba há quase dez anos, já atuou em diversos veículos de comunicação na capital. É fundador da Cabaña Comunicação, empresa responsável pela assessoria de imprensa de eventos culturais e artísticos. Apaixonado por música, o cenário cultural curitibano é a verve do seu trabalho e por isso também ama Curitiba. Assim sendo, ninguém melhor para assinar a coluna "Música é o Canal" do Eu Amo Curitiba que compartilha experiências musicais em todos os tons.