Nem Maravilhas Nem Espelhos – Apenas Alice: um espetáculo sobre o abuso

A temporada acontece em dois espaços culturais – Auditório Brasílio Itiberê e Teatro Rodrigo D´Oliveira

Estreia nesta sexta-feira,18, no Auditório Brasílio Itiberê – SEEC, a temporada da peça Nem Maravilhas Nem Espelhos – Apenas Alice, do Multipersonas Coletivo Teatral. O espetáculo é uma montagem inédita e autoral com um texto atual, mas que remete a uma questão muito perene e cruel sempre presente na história da humanidade – o abuso.

O texto assinado por Bila Ivankio e Daniel de Mattos Keller e tem como referência e ponto de partida alguns dos clássicos de Lewis Carrol – Alice no País das Maravilhas, de 1865, Alice Através do Espelho e O Que Ela Encontrou Por Lá, de 1871.

A peça
A peça Nem Maravilhas Nem Espelhos – Apenas Alice não fala do país das maravilhas e tão pouco do que há do outro lado do espelho, mas mostra como as drogas e os tratamentos que deveriam curar a humanidade, na verdade, corromperam a mente dos pacientes e também daqueles que deveriam zelar por eles.

O “Projeto Alice” é o resultado de estudos, experiências e dinâmicas. Além da prática física – que envolveu exercícios do Teatro da Crueldade (de Artaud) e do distanciamento Brechtiano (de Bertolt Brecht) – o grupo estudou e promoveu discussões sobre as diversas doenças psicológicas e seus respectivos tratamentos psiquiátricos e medicamentosos.
A história ainda gira em torno de Alice, porém, em um ambiente muito mais estranho e doentio do que os mundos pelos quais a menina já “viajou”. Abandonada pelos pais por ser considerada uma vergonha, Alice, diagnosticada como esquizofrênica, vive agora em um lugar sem cor, onde tudo é branco exceto pelas manchas de sangue deixadas por seus habitantes.

 

Os personagens


A ambientação da peça começa com os próprios personagens. Nessa versão, os personagens do Universo criado pelo escritor Lewis Carroll tem um equivalente no mundo real, tratado neste enredo como o “Mundo Doente”. Criar esses “duplos” foi a maneira que os autores escolheram para fazer um paralelo entre o novo enredo e as referências das histórias de Carrol.

Diversos personagens das duas obras com Alice foram mantidos no projeto:
Chapeleiro Maluco: um interno que sofre de transtorno de personalidade. Oscila entre várias personas, podendo ser amigável, brincalhão, alegre, depressivo, calmo, triste ou violento.
Lebre de Março: colega de quarto do Chapeleiro. Sofre de ansiedade crônica e Síndrome do Pânico. É extremamente ativa, se irrita facilmente e precisa de sedativos fortes para conviver com os outros pacientes.
Gato de Cheshire (Gato Risonho): o único enfermeiro que se aproximou de Alice. Seu sorriso é cativante, marcante e assustador ao mesmo tempo. É um homem que se entretém com abusos físicos e psicológicos.
Coelho Branco: esse personagem representa o tempo, a rotina e os compromissos típicos da cultura inglesa. Nessa montagem, ele é o chefe dos enfermeiros, um homem neurótico e controlador.
Rainha de Copas: herdeira e diretora do instituto. É uma mulher dura e que não sente remorso ou compaixão pelos internos. É a favor da terapia de choque e da lobotomia.
Rainha Branca: é a representação da figura materna. Uma criação da mente de Alice, profundamente ligada às memórias que a jovem tem de sua mãe.
Lagarta Azul: é a ponte entre o Mundo de Alice e o Mundo Doente. Esse personagem é o psiquiatra do hospício e representa o elemento de lucidez na peça.
Tweedle Dum e Tweedle Di: gêmeos siameses para alguns, paciente com dupla personalidade consciente para outros. Falam juntos e estão sempre unidos. Dois corpos e duas mentes, Dum e Di, Ying e Yang.
Os outros personagens foram inseridos no enredo durante a criação da história para trabalhar o lado humano de Alice:
Mãe: uma mulher sem voz e arrependida. Uma mãe que não conseguiu coragem para lutar por sua filha. Representa a serenidade máxima e a redenção.
Pai: um homem típico do século XIX, ou seja, preocupado com seu papel na sociedade, sua família e principalmente, sobre o que os outros pensam e dizem sobre ele. É o principal responsável pelo internamento de Alice.
Irmã: de acordo com documentários sobre a vida de Lewis Carroll, Alice existiu e tinha duas irmãs. Aqui, Ana é a única que Alice reconhece e confia totalmente. Ana nunca aceitou a decisão dos pais e é a personificação da persistência e do amor fraternal.
A montagem explora o ambiente dos antigos hospícios – hoje extintos na maior parte do mundo – para contar a história desses personagens, que oscilam entre realidade, sonho e loucura.

Ficha Técnica
Direção e Dramaturgia: Bila Ivankio e Daniel de Mattos Keller
Elenco:
Bolívar Escobar
Daniel de Mattos Keller
Jess Oliveira
Jorge Augusto Costenario
Julia Charlee
Mariane Rocha
Vivi Padilha
Figurino, Cenário e Maquiagem: Multipersonas Coletivo Teatral
Trilha sonora original: Beto Siri

 

Serviço
Nem Maravilhas Nem Espelhos – Apenas Alice
Locais e datas:
18, 25 de maio e 1 de junho: Auditório Brasílio Itiberê – R. Cruz Machado, 138, Centro Horário: 20h

19 e 26 de maio: Teatro Rodrigo D´Oliveira – R. Trajano Reis, 41, C.Histórico – L. da Ordem
Horário: 19h
Ingressos: R$40 e R$20
Compra de ingressos antecipados na bilheteria do teatro. Mais informações: (41) 3223 2205 / 99933 3205.

https://nemaravilhas.wixsite.com/nemespelhos
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Mariana Martins

Radialista, Atriz e Produtora. Mariana Martins dirige sua Produtora, a Pequena Mari Produções e encabeça o Projeto "Eu Amo Curitiba". Além da gestão geral, escreve posts, faz coberturas de experiências, mídias sociais, é responsável pela elaboração de projetos e parcerias. Paralelo à isso, é supervisora geral da Banda B e apresenta seu programa na rádio "Mariana Martins Fala Sério", ao vivo pela rádio, facebook, instagram e youtube - @marianamartinsfalaserio todas as terças e quintas, às 11h30. Para sugestões de pauta e releases, envie e-mail para: [email protected] | Outros assuntos: [email protected]