O Museu Oscar Niemeyer (Mon) é o símbolo maior da cultura em Curitiba. Lá, o difícil é determinar onde estão as obras de arte – dentro ou fora dessa construção tão permeada de significância.

O projeto do Mon foi criado a partir do Edifício Castelo Branco, com a marca registrada de Niemeyer – o combinado de vãos livres, balanços e uma caixa que parece flutuar. Por muitos anos, o espaço foi destinado ao funcionamento de várias secretarias de estado.

E ao retomar o antigo trabalho, o arquiteto ousou mais uma vez. Anexou ao projeto já existente uma torre de 30 metros de altura composta por quatro pavimentos, em que o salão principal possui cerca de 1,5 mil metros quadrados e é em formato de olho.

Esse é o fato. Mas, por que um olho? Essa pergunta tem rondado nossos pensamentos desde então. Fomos atrás de respostas. Muitas são as versões sobre o assunto. Tirando as obviedades, há quem diga que o olho é, na verdade, o desenho que se forma no espaço entre os braços da bailarina que dança com fitas, representada na base amarela da torre. 

Uma outra vertente teórica é de que o arquiteto queria ver representada na torre o símbolo do estado – a araucária.  De uma forma ou de outro, essas são algumas das muitas teorias a cerca da inspiração do arquiteto e que não deixam de ter lá o seu valor.

Conheça a história

Foto Washington Takeuchi

Antes de se tornar o espaço que é hoje, o Museu do Olho, Mon ou Museu Oscar Niemeyer já foi NovoMuseu. Anteriormente abrigou, até a virada do século, várias secretarias de estado. Nessa época, o nome era Edifício Castelo Branco. E sim, a obra leva a assinatura de Niemeyer, apesar de não ter se falado muito sobre isso no passado. Originalmente o projeto de 1967 fora desenhado para ser o Instituto de Educação do  Paraná, mas a escola nunca ocupou o local.

A ideia de um museu capaz de colocar Curitiba na rota das grandes exposições era antiga até que, em 2000, surgiu a chance de a cidade sediar uma unidade do Museu Guggenheim. A partir dessa possibilidade começou o empenho  para tornar realidade a  instalação do museu/grife espanhol por terras “paranistas”.  Porém, essa expectativa não se confirmou, mas o projeto de um museu de proporção global tomou corpo,  criou vontade própria. E, por fim,  transformou a união de artistas, intelectuais, arquitetos numa verdadeira saga, comandada pelo urbanista e governador do estado na época, Jaime Lerner.

Foi assim que o cenário urbano local viu nascer um espaço dedicado à cultura.

A obra expressa  os traços de Niemeyer em cada detalhe. As curvas da rampa que liga os dois edifícios e o vão livre de 65 metros são a própria assinatura do arquiteto.O museu ocupa uma área de 144 mil m², no coração do Centro Cívico, distribuídos em um jardim, uma construção de 33 mil m² e um espelho d’água.

Reza a lenda que Niemeyer se decepcionara com a destinação dada ao Edifício Castelo Branco ao ponto de não mencionar a obra em seu currículo. Ao ser convidado para assumir o projeto do museu, fez uma exigência – a de construir um novo prédio que se tornasse símbolo da instituição cultural. Assim nasceu o edifício anexo em formato de olho, suspenso do solo de modo a não esconder a construção original. E mais, estava criada a identidade do novo espaço.

O Museu do Olho se impõe na paisagem de um bairro cheio de simbolismos para os paranaenses – o Centro Cívico concentra as sedes dos três poderes do estado. É um lendário espaço de lutas mas é também um local de encontros gastronômicos, concorrido centro de compras e de espaços voltados à vida ao ar livre com seus gramados imensos, arrematados pelo Bosque do Papa, o ilustre vizinho do museu.

Uma visita ao Museu Oscar Niemeyer começa a render já na parte externa, no Pátio das Esculturas, onde estão 13 obras tridimensionais assinadas de Erbo Stenzel, Amélia Toledo, Bruno Giorgi, Tomie Ohtake e Oscar Niemeyer. As obras pertencem ao acervo do Mon.  

Internamente o museu está dividido em 12 salas expositivas, por onde já passaram mais de 300 exposições nacionais e internacionais, em 14 anos de existência do museu. Os dados impressionam – o Mon realiza cerca de 20 mostras por ano que atraem aproximadamente 300 mil visitantes; em 2013, o museu chegou a marca de 2 milhões de pessoas que visitaram a instituição desde o início da contagem, em 2003.

Saiba mais sobre o museu

http://www.museuoscarniemeyer.org.br/institucional/sobre-mon