Uma novela chamada Suite Vollard. Conheça a história do primeiro prédio giratório do mundo.


Cinco unidades foram vendidas e o Suite Vollard continua vazio até hoje, quatorze anos depois de seu lançamento.

Foto Circulando por Curitiba Washington Takeuchi

No início da década passada, o mercado imobiliário de Curitiba inaugurava o que poderia ser chamado de “uma nova era” na arquitetura com o lançamento do  Suite Vollard, o primeiro edifício giratório do mundo.

O projeto, considerado audacioso pelo conceito e pela tecnologia empregada, causou muito impacto em 2004, ano de seu lançamento.

Erguido em uma das regiões mais valorizadas da cidade, o Suite Vollard impõe sua presença no bairro Ecoville, antes carregada de expectativas promissoras e agora conta uma história de abandono e disputas judiciais.

Edifício-conceito

Projetado por Bruno De Franco, na época arquiteto-chefe da extinta Construtora Moro, o Suíte Vollard é uma estrutura de 11 andares, com 11 apartamentos de 287m² que giram 365 graus de forma independente à um simples comando de voz. Ou seja, os apartamentos podem acompanhar o movimento do sol durante todo o dia ou simplesmente mudar de paisagem. Tudo ao gosto do freguês.

Com a tecnologia patenteada mundialmente, o projeto de forma circular, consiste em um pilar de concreto armado que sustenta as lajes onde estão instalados os sistemas giratórios.

Apenas as cozinhas, banheiros e lareiras do edifício são fixos. O quesito “sistemas de fiação” que poderia se transformar em uma grande dor de cabeça (imaginem aquele bolo de fios sendo enrolados ao bel prazer da rotação do prédio) foi colocado sob o piso, em trilhos de cobre, que se movimentavam em concordância com a estrutura metálica do apartamento.

Para além de um mais um edifício de apartamentos caros, o Suite Vollard era considerado pelos seus criadores um edifício-conceito cuja tecnologia poderia ser aplicada em outros tipos de projeto como hotéis e escritórios.

Luxo e mordomias  prometiam aos candidatos a proprietários uma experiência única. O sistema de automação, além de controlar o movimento do prédio, fazia o controle de ambientes, como o ar condicionado, as persianas, a iluminação. A segurança por biometria e a utilização de sistemas avançados para economizar água e energia elétrica eram alguns dos itens de inovação do empreendimento.

Entenda a história

A notícia do lançamento do projeto causou muito “frisson”, principalmente no mercado imobiliário nacional. O evento ocupou as páginas dos principais veículos de comunicação e revistas especializadas. O prédio giratório se transformou em, praticamente, um ponto turístico da cidade.

Pronto e devidamente divulgado, os apartamentos foram colocados à venda. Era chegada a hora da verdade – o mercado não comprou a ideia. Cinco unidades foram vendidas, porém nenhum dos compradores chegou a morar nos apartamentos e o Suite Vollard continua vazio até hoje, quatorze anos depois de seu lançamento.

As causas do fracasso nas vendas podem ser muitas. Talvez o conceito de movimento fosse muito avançado para à época e gerou pouca confiança. Talvez as pessoas achassem que se sentiriam como em um barco quando o apartamento começasse a girar e a gente sabe que sensação pode ser bem desagradável. Pura especulação.

Mas, uma das causas apontadas na época foi o preço das unidades: US$ 300 mil, sendo o metro quadrado mais caro do pedaço. 

Foto Circulando por Curitiba Washington Takeuchi

Enquanto  preço médio do metro quadrado de apartamentos de alto padrão era de R$ 1.448,12  no caso do Suite Vollard, esse valor estava em R$ 2.700. 

Constatado a falta de interesse do mercado, a história do edifício experimenta toda sorte de acontecimentos. Em 2006, a empresa proprietária decide relançar o empreendimento com proposta de investimentos na casa dos 13 milhões. Mas a estratégia não se consolida pois o Vollard não atrai parceiros para o relançamento e muito menos compradores.

A partir daí começa uma sucessão de problemas com a justiça e o Vollard chega a ir a leilão por causa de uma ação coletiva movida por proprietários de um edifício que também pertencia a Construtora Moro. 

Mas, o empreendimento não chegou a ser vendido.

Os problemas judiciais enfrentados pela construtora continuariam e edifício é penhorado. Porém, a ação é suspensa porque que o Vollard  já pertencia à outro dono – a Piemonte Ltda, do Grupo Inepar.

E assim, o Suite Vollard segue desabitado aguardando as cenas do próximo capítulo.