A década de 1880 marcou grandes transformações no cenário urbano de Curitiba devido mobilidade obtida com a construção da Estrada da Graciosa, a revolução industrial, a prosperidade gerada pelo comércio de erva-mate e de madeira além da chegada dos imigrantes europeus. Toda essa prosperidade foi refletida nas construções deste período.

As residências e engenhos dos “barões do mate” foram construídas onde hoje são o bairro do Alto da Glória e o Batel. A família Leão e Fontana se fixou no Alto da Glória.

Quando os filhos do casal Desembargador Ermelino de Leão e Maria Bárbara ainda eram crianças a família mudou-se para a chácara que pertenceu ao barão de Holesben. A nova residência localizava-se no atalho da Graciosa, em uma região alta por isso o Desembargador passou a chamar o local de Alto da Glória.

Em 1895 foi lançada a pedra fundamental da construção da Capela Nossa Senhora da Glória, erguida por Maria Dolores Leão da Veiga, casada com Bernardo Augusto da Veiga. A capela foi uma homenagem de Maria Dolores ao seu pai Ermelino de Leão.

A capela foi projetada e construída pelo italiano Antônio Dallegrave juntamente com outros de seus compatriotas a pedido do Desembargador.

Em 25 de novembro de 1896 foi benta a capela com missa celebrada pelo Bispo Dom José de Camargo Barros. O primeiro casamento realizado na capela foi de João Dallegrave e Amélia Chatagnier. Os três filhos de Maria Dolores assim como todos os descendentes da família Leão foram batizados na capela.

Com a morte de Maria Dolores Leão da Veiga, sua filha, Maria Dolores da Veiga (D. Lolita) passa a cuidar do templo e após a sua morte os cuidados passaram para sua nora Jandira França de Leão. Por sua vez, Jandira cuidou da capela por um tempo, depois passou este encargo a Bernardo Augusto da Veiga, filho de Gabriel Leão da Veiga e neto de Maria Dolores Leão da Veiga, que o fez por muitos anos.

Atualmente o edifício é de propriedade da Mitra da Arquidiocese de Curitiba, por doação da família Leão da Veiga, e é considerado uma UIEP – Unidade de Interesse Especial de Preservação do município de Curitiba.

O estilo arquitetônico utilizado na construção da Capela Nossa Senhora da Glória foi o eclético com o predomínio do neo-clássico, isto é, foram utilizados elementos e formas do estilo clássico europeu.

Dado ao seu grande valor histórico e valendo-se da condição de Unidade Especial de Interesse de Preservação, a Capela Nossa Senhora da Glória está em processo de restauro à cargo da Prefeitura Municipal de Curitiba, cujos custos estão sendo bancados pela venda de potencial construtivo.

A empresa G Arquitetura está executando o restauro e graças à amiga Giceli Portela, tive a grata oportunidade de poder fotografar a fase do restauro da capela que apresento nas fotos de hoje.

Também graças à Giceli, as informações preciosas que acompanham as fotos de hoje foram obtidas de um documento intitulado “Projeto de Restauro da Capela Nossa Senhora da Glória – Volume 1 – Objeto/Inventário/Descrição”, elaborado em dezembro de 2014 pela equipe de arquitetos Aline Soczek Bandil e José Pedro da Silva.

Conversando com uma pessoa na obra, soube que a intenção é de entregar à Mitra e à comunidade a capela devidamente restaurada no dia do aniversário de Curitiba. Espero que o tempo ajude e que a obra fique pronta em tempo.