Revisitar o cinema antigo é uma paixão! É com o ir ao museu rever Van Gogh, Caravaggio ou Rodin.

Cena do Filme “Morangos Silvestres”

Tenho verdadeira paixão por filmes antigos e alguns, como por exemplo “Morangos Silvestres”, que Ingmar Bergman filmou em 1957, eu vejo e revejo diversas vezes. Até duas vezes num mesmo ano, sempre com prazer renovado. E explico de uma maneira muito simples: é como ir ao museu rever Van Gogh ou Caravaggio ou Rodin. Simples assim.

E não tenho gostos por esse ou aquele gênero. Cinema pra mim é cinema. Tanto que esta semana assisti a um tal “A Mansão de Frankenstein”, que um diretor muito B, chamado Erie C. Kenton, dirigiu com um formão e uma marreta. O monstro de Frankenstein, mais o Lobisomem, mais o Drácula, mais o cientista maluco, mais uma cigana dançarina, mas um ogro apaixonado e mais e mais… num rocambole desesperado que sai do nada pra chegar a lugar nenhum.

Mas, poxa, tem Boris Karloff, Lon Channey, J. Carrol Nash e John Carradine! E aquela fotografia PB estilizada e aqueles cenários quanto mais falsos, mais artísticos!

É Van Gogh, é Delacroix, é Portinari…! Acredito! Pois é, uma semana/cinema, de adeuses e memórias! Milos Forman foi embora. “Um Estranho no Ninho”, “Hair”, “Amadeus” e “Ragtime”. Um diretor clássico, intenso, de mão forte e firme e apaixonado pelos outsiders que fazem a diferença. Mais que um cineasta, um humanista dos maiores!

E neste domingo também vai embora Vittorio Taviani, que com seu irmão Paolo, realizou “Pai Patrão”(1977), “A Noite de São Lourenço”(1982) e “Allonsanfán”(1974), só pra citar três momentos emblemáticos do cinema italiano e do cinema no mundo!

É. O cinema dentro de mim vai virando memória! E continuo achando que quando ele toca com suas imagens mágicas, o humano, o frágil, o vulnerável e o que se entrega à margem do óbvio e do “normal”, encontra o seu melhor. E, guardando as devidas proporções, me sinto cada vez mais o Dr. Eberhard isak Borg, que Victor Sjostrom, encarnou na mais profunda delicadeza, em “Morangos Silvestres”, vivendo suas memórias e fazendo delas substantivos, como uma cena de cinema. E como só o cinema proporciona!