Falsificando a vida e arrasando no Cinema  


Melissa McCarthy! consegue a proeza de destilar todo o mau humor da personagem e ainda assim provocar ternura, simpatia e cumplicidade do público

Há atores maiores que seus filmes, o que não é necessariamente um problema. Lembro, por exemplo de “Julie & Julie”, onde Meryl Streep dominava a tela, deixando pouco espaço para um roteiro básico e uma direção competente. Penso que o mesmo acontece com Poderia Me Perdoar?, onde a diretora Marielle Heller conta a história verdadeira de uma falsificadora originalíssima. Lee Israel, escritora fracassada e falida, descobre o filão de falsificar cartas de escritores e artistas célebres e vendê-las para colecionadores a bom preço.

Acontece que Lee Israel é uma figura grotesca, tosca, alcoólatra e irascível. Pronto, características perfeitas para uma grande atriz deitar e rolar. E é o que faz Melissa McCarthy! Sua composição consegue a proeza de destilar todo o mau humor da personagem e ainda assim provocar ternura, simpatia e cumplicidade do público.

Um show! E de quebra ela tem como coadjuvante, Richard E. Grant, vivendo seu grande momento no cinema, na composição de um gay decadente e fora da casinha. Maravilhosos!!! O filme? Até a metade é delicioso, com situações, sequência, planos e trilha sonora que fazem a alegria de qualquer cinéfilo. Quando tudo tem que se resolver, porque assim é a história, o filme careteia um tanto e cai no básico, sem que o todo se comprometa, é claro. Falta uma pitada de loucura nos roteiristas e na diretora, mas sobra bom cinema. E é muito!

Poderia Me Perdoar? encosta no cinema de Woody Allen  e oferece muito, muito prazer. E Melissa McCarthy e Richard E. Grant valem cada centavo que você deixar na bilheteria!