First Man banaliza os acontecimentos por suas opções de narrativa


Falta cinema e sobra um exercício burocrático de linguagem onde o desejo de fazer de Louis Armstrong e sua história uma coisa normal

Tudo é uma questão de gosto, então que não existe o certo e o errado quando o assunto é arte. No caso, cinema. . Menos pelos seus aspectos técnicos e mais por suas opções de narrativa. Chazelle optou por um estilo big brother com um naturalismo de câmera e diálogos que banalizam absolutamente tudo. E eu odeio o banal no cinema, ou no teatro ou na música… Assim, que para o meu gosto, falta cinema e sobra um exercício burocrático de linguagem onde o desejo de fazer de Louis Armstrong e sua história uma coisa normal (como aliás deve ter sido!) faz também parecer que a sua missão (ser o primeiro homem a por os pés na lua) é apenas um exercício de rotina e que nada tem de especial. 

Será que foi assim mesmo? Ryan Gosling, “vivendo” Armstrong, chega ao cúmulo da inexpressividade, passando a idéia de que a vida de um astronauta é a mais tediosa, sofrida e sem graça de todas as profissões do mundo. Não se vê qualquer paixão pela profissão, espírito de aventura ou desejo de pioneirismo. É tudo burocracia e sem gracice. Talvez tenha sido assim mesmo, mas o cinema, a arte, pedem o dramático, coisa que roteiro, ator e diretor estão longe de buscar em FIRST MAN. Em algum momento cheguei a pensar que Damien Chazelle, de verdade, não acredita que o homem tenha ido à lua. Sei lá.

Para não dizer que tudo é inútil e frágil, fica registrada a performance de Claire Foy, vivendo a esposa de Armstrong. O único ponto do filme onde se vê alma, sangue, desejo e paixão. E digo que tudo é uma questão de gosto porque alguns críticos chamaram o filme de “pequena obra prima”. É, talvez seja…