HEREDITARY – O demônio e suas artimanhas…


Como disse um famosos slogan: “Tenha medo, muito medo!”

O demônio, mítico, assustador, do contra, vingativo e mal humorado, rendeu algumas obras primas do cinema. Assim, de cara, posso apontar duas indiscutíveis: “O Bebê de Rosemary”, uma aula de direção de cinema proporcionada por Roman Polanski em 1968, e “O Exorcista”, o melhor filme de terror da história, cometida por William Friedkin e William Peter Blatty, dois ousados e assustadoramente excepcionais artistas. 

E, antes e depois, ele, o demônio, fez suas aparições, brincando com as emoções da platéia, fazendo uns sucessos e outros fracassos de bilheteria pelo mundo afora. Neste ano da graça de 2018, ele deu um pitaco quase no nível dos dois clássicos acima: HEREDITARY, que o novato Ari Aster escreveu e dirigiu. É novato, sim, mas se cercou de gente bem veterana como os atores Toni Colette e Gabriel Byrne.

O que tem de melhor este HEREDITARY é que aposta o tempo todo na sugestão e no verdadeiro terror, aquele que gela a alma, que se mistura à realidade e que pode ser muito plausível. Claro, se você acreditar que o demônio anda por aí usando seus seguidores para dominar nossas almas. E também nunca apela para a baixaria e para os efeitos fáceis.

Lembra demais “O Bebê…” e “O Exorcista”, no que os dois têm de melhor. E, porque fazer cinema não é bolinho, além do quê, os tempos são outros, então não tem a radicalidade, nem a originalidade dos dois. Mas é um filmaço. O demônio vem com tudo, vira uma pobre família de cabeça para baixo e é capaz das artimanhas mais cruéis e sádicas, porque se tem uma coisa que ele gosta de fazer no cinema é levar gente que já tem lá seus problemas psicológicos, até o limite da loucura.

HEREDITARY, muito na sutileza tem também um espírito farsesco, que é a característica de uma determinada corrente do gênero no cinema atual e premia o público com incríveis cortes e sequências engenhosas, algumas que provocam arrepio na espinha. Os atores são excepcionais e Toni Colette um caso à parte. Ela oferece uma performance ao nível das maiores atrizes do cinema e, segundo dizem, tem grandes chances de receber mais uma indicação ao Oscar.

Tem que ser muito mal humorado pra não curtir

E daí, me vêm à memória grandes atrizes que aproveitaram filmes drama/terror para mostrar seus poderes, como Sissy Spacek (Carrie, a Estranha), Ellen Burstyn (O Exorcista), Mia Farrow (O Bebê de Rosemary) e Kathy Bates (Misery). HEREDITARY é excelente cinema e boa pedida para uma madrugada de sexta para sábado, debaixo das cobertas, silêncio na casa e desejo de ouvir sons e barulhos estranhos, inclusive com algumas aparições inesperadas. Como disse um famoso slogan: “Tenha medo, muito medo!”.