O Grande Circo Místico – um exercício de decadência


O GRANDE CIRCO MÍSTICO é um filme gagá, com o perdão do adjetivo pejorativo

O GRANDE CIRCO MÍSTICO, de Cacá Diegues é um filme com tantos, mas tantos problemas, que falar mal dele seria um exercício de desapontamento. Cacá Diegues é um dos ícones do Cinema Brasileiro, dono de uma filmografia de fazer inveja e responsável por filmes excepcionais como “Xica da Silva”, “Chuvas de Verão” e “Bye, Bye Brasil”, só para citar três.

Então que, de alguma forma, é compreensível que ele tenha se atirado a um roteiro tão raso, diálogos tão pobres e uma direção tão enfadonha e sem personalidade. Por que compreensível? Porque talvez o tempo tenha passado para o maravilhoso Cacá Diegues. O GRANDE CIRCO MÍSTICO é um filme gagá, com o perdão do adjetivo pejorativo. As histórias vão se sucedendo, preocupadíssimas com um certo tipo de beleza estética, mas que apostam muito mais no grotesco do que no poético, no vulgar ao invés do crítico, no enfadonho ao invés do profundo. Na maioria das vezes, as belas músicas de Chico Buarque e Edu Lobo parecem deslocadas da imagem, já que não se completam e o resultado é um exercício de decadência.

Poderia ser, como parece acreditar o roteiro, na decadência da vida e do circo, mas parece mesmo que o que acontece é outro tipo de decadência. O que sobra é uma sensação de repugnância, que não faz bem ao cinema e que não existe nem na poesia de Jorge de Lima e nem na música de Chico Buarque e Edu Lobo. É apenas uma opção pelo desagradável. Uma pena.