Sobre heróis e afins…


Do melhor ao pior em 2018?

O ano segue e os super-heróis enchem as telas com suas porradas e lágrimas. Tiro, grito e nome feio! A Marvel colhendo louros e a DC tentando achar um caminho que a tire do limbo da chatice. De qualquer forma, os heróis brincam de salvar o universo e se você colocar a lupa com cuidado sobre eles, vai ver que contam todos sempre a mesma história; uns com mais, outros com menos graça e verniz. Mas é sempre a mesma lenga lenga, costurada aqui e ali com cenas de ação onde os efeitos especiais deitam e rolam e que parecem nunca cansar. Do melhor ao pior em 2018?

Rindo castiga-se mais

AVENGERS: GUERRA INFINITA é, disparado o mais divertido e assustador. Mas claro, nada a ver com o fim do universo, mas com o sofrimento sádico impingido aos seus personagens. Todos sofrem até os rios de lágrimas e sangue e quando tudo parece se resolver, uma jogada temporal crava a estaca em nossos corações e o universo com seus/nossos heróis desmorona. Uma tragédia sem fim que só nos redimirá (se redimir) daqui a nove meses quando a continuação vier. Mas é um filme muito bem estruturado e clichês e repetecos à parte, emociona e diverte, por conta de nossa memória emotiva. E, claro, tem um vilão dos melhores. Não tem o fascínio de um Heath Ledger (Coringa) ou Anthony Hopkins (Hannibal Lecter), mas convence com sua reflexão assustadoramente fascista. Fosse dirigido pelo Lars Von Trier e, a partir da mesma premissa, o final seria outro, podem ter certeza.

Em segundo lugar… OS INCRÍVEIS 2!!! Como eu já disse (disse?), não inova em nada, não tem pretensões criativas no roteiro, fica muitos pontos abaixo do original, mas devo reconhecer que diverte. E muito! Os personagens permanecem encantadores e o protagonismo do bebê Zezé, dá à continuação um frescor de comédia e caos que é uma delícia! Tem a melhor sequência animada do ano, que faz jus à opção pela animação, onde o plausível impossível dá as caras e tudo é incrivelmente crível e o realismo é um detalhe a ser dispensado. Pra quê, não é? Brad Bird, o diretor/criador, deitou nas cordas e seguiu o fluxo. Não errou, mas também não acertou tanto quanto podia.

E em terceiro lugar, o HOMEM FORMIGA E A VESPA. Sessão da tarde, alívio cômico, trama simples, efeitos belíssimos e luz na aventura. É um filme de super herói movido à comédia de trapalhadas, onde todo mundo se esmera em errar mais do que acertar e é do erro involuntário que nasce a piada. Filme físico, cheio de absurdos divertidos e que não tem medo de se apoiar na fofura para conquistar o público. Se não tivesse existido não faria falta, mas como existiu serve de alívio ao sofrimento infinito provocado pelo já comentado “Avengers – Guerra Infinita”.

Tudo festa e bom humor, até que acontece a primeira sequência pós crédito, quando a caca é atirada no ventilador e temos que voltar pra casa com a pulga atrás da orelha e esperar nove meses para a segunda parte de Avengers. Haja crueldade!

E o quarto e último lugar? DEADPOOL 2. Uma chatice insuportável. O super-herói mais interessante, mas que corre pra todo lado e não sai do lugar, nessa sequência que se apóia na bagaceirice e na piada grosseira para fazer delas sua linguagem. A história? Um blá-blá-blá inconseqüente e metido a engraçado (dentro da estrutura do roteiro, claro!) e que é sempre seguido por sequências de ação cheias de podrices e melecas. Para finalizar, talvez por exigência egóica do seu protagonista, o roteiro nos brinda com um solilóquio interminável do herói/Ryan Reinolds, que sai do nada para chegar a lugar nenhum, tentando colocar um pouco de romance onde só tinha baixaria. Um filme ruim e que fez muito sucesso, porque assim é o cinema e assim é o momento mágico dos super-heróis.

Agora nos resta esperar o final do ano para assistir a nova investida da DC: AQUAMAN! O que acontecerá? O trailer parece a história do primeiro Thor, só que embaixo d’água. Mas não vamos fazer julgamentos antecipados. Vai que o filme é ótimo?

Enfim, alguém vai me perguntar: mas você esqueceu do PANTERA NEGRA? E eu respondo: é possível esquecer? Acontece que é o maior sucesso do ano, elogiadíssimo pela crítica, cotado até a uma indicação ao Oscar de Melhor Filme, então pra que chover no molhado? O fato é que eu achei o filme bem básico e que, em nenhum momento me convenceu dentro de sua própria proposta. Lindo, com atores e atrizes lindos; e visual exuberante, mas bem dentro da receita do bolo. Aquele pão-de-ló feito com água, mas com recheio e cobertura de pasta americana. Entendem? Fico até com medo de ser escrachado nas redes sociais, por ter esta opinião, mas foi o que eu senti.

 

Em resumo, de todos esses heróis e bandidos, o que não me sai da cabeça é o delicioso Zezé, dos “Incríveis 2” com seu humor inconseqüente e puro. E em última análise, eu gosto de filmes de super-heróis. Por mim poderia ter uns cinco por ano pelo resto dos tempos que estaria tudo numa boa. E estamos conversados.