Este blog foi idealizado para dialogar sobre teatro e artes em geral, mas também, abrir espaço  pra discussão acerca de como a arte nos toca, nos mobiliza e nos transforma.

Pois seguindo esse contexto, estava eu cumprindo meu ofício de produtora local no FRINGE (um dos segmentos do Festival de Curitiba), quando me preparo para receber  uma Cia De Santos.  É uma trupe numerosa, muito alegre, e  com artistas comprometidos e engajados. Mostro o espaço, os acomodo, ajudo na montagem, até que tudo se apronta!

Ao final, 3° sinal. Sento-me pra assistir, confiro meu celular e então, inicia-se uma viagem acerca da frivolidade das relações atuais em meio à tecnologia que nos cerca! Esta é a proposta da peça que se intitula “Nó na garganta”. Os atores do grupo, de nome TESCOM, se posicionam. Começam a dizer coisas desconexas, fazem relatos soltos sobre vários  assuntos , luzes se acendem e se apagam, falam de amor, solidão. Celulares e tablets entram em cena, os atores seguem falando sobre falta de comunicação, omissão, comodismo. Mais interferência de celulares e música.  Agora é fácil identificar que se trata da encenação  de uma sala de bate papo. Encontros frágeis, “mentiras brandas”. Histórias confusas e entrelaçadas. A moça o meu lado desliga o celular. Seria por identificação?  Nos olhamos. Silêncio.

Foto do Espetáculo – Crédito Cleo Cavalcanti

A peça segue.  Mais desencontros, mais relatos  de vidas entrelaçadas . Menos de 10 minutos depois, me pego refletindo:

Puxa, quantas vezes eu também já me privei de estar inteira em algum encontro ou atividade, ou até mesmo com meu marido e filho, por estar de celular na mão, preocupada com o horário da postagem da pagina X, ou medindo o numero de likes na foto postada na página Y. Me pego pensando que nesse meio tempo a vida passa, e quando  você se dá conta, percebe  que em boa parte do tempo  não esteve totalmente entregue nem  a uma coisa nem a outra. Então vem  a sensação de incompletude. A peça parece ter sido feita pra mim. Penso que essa incompletude é fruto  das minhas ações. É criada por  mim mesma.  Pelo uso excessivo da tecnologia como meio de relacionamento e comunicação. Penso em todas as vezes que já ouvi a frase: A humanidade anda muito solitária. Ou ainda: Ninguém tem mais paciência para ouvir de verdade e entender o outro!

Mas e a nossa parcela individual? Tão mais fácil achar que a culpa é do outro… Me pego pensando:

O que será que vale mais? O que você é de verdade ou a foto editada que você posta no instagram? A peça segue. Agora fala de solidão a dois. Meu deus, quem nunca?! A atriz profere que trocaria um “Eu te amo” virtual por um pedido real de casamento.

Mais encontros e desencontros. A luz se apaga. Aplausos fervorosos. A plateia sai reflexiva.

Me percebo provocada. Porém muda! A Cia Agradece!

Encerro o expediente. Seguimos todos os nossos caminhos. Porém, com um pequeno NÓ NA GARGANTA!