Vem cá, conta pra mim. Essa semana foi puxada? Arrumaram alguma confusão? Brigaram com os colegas de trabalho? Vocês também tão cansadas desse povo que adora fazer comício pra falar grosserias? De gente que não articula um argumento, só sabe ofender as pessoas e não tem nenhuma ideia? E de quem só tem bílis, ódio, mau sentimento, mal secreto e é uma coisa horrível?

Então eu tô aqui pra segurar a mãozinha de vocês e deixar todo mundo de fora desse mau sentimento na vida real, pra poder elaborar melhor numa tela HD. A lista de hoje conta com filmes que tem personagens que são a mistura do mal com o atraso e pitadas de psicopatia.

Sangue Negro (2007)
Eu demorei muito pra ver esse filme pela primeira vez porque achei que 2 horas e meia era tempo demais, mas agora eu posso garantir que é um tempo bem aproveitado se o seu intuito é passar raiva. São 2 horas e meia de você sentindo um profundo desprezo pelo ser humano Daniel Plainview, um ambicioso dono de poços de petróleo no início do século XX. Ele é ruim com os funcionários, com amigos, com os moradores da vila, com quem ajuda ele, com quem o trai, é ruim até com o filho. Eu acho que se você levantar pra fazer xixi no meio do filme ele é ruim até com você. Eu só não digo que ele é a mistura do mal com atraso porque se tinha uma coisa que ele levava por onde passava era progresso, só que a custa de muito sangue.

O cremador (1969)
Esse filme podia ser cômico, se não fosse trágico. Digo isso porque o personagem principal é um homenzinho caricato, gorducho, de penteado lambido e absolutamente tagarela. O homem fala tanto que o filme acaba sendo quase um monólogo, que engloba não só as conversas como os pensamentos que ele tem. A primeira vista eu diria que ele é um homem inofensivo, um tanto infeliz e deslumbrado com qualquer pequena possibilidade de poder; mas no fim das contas é exatamente isso que faz dele uma pessoa tão ruim. O filme se passa na Tchecoslováquia, no período inicial do regime nazista. A montagem é bastante autêntica e uma história que não é só sombria, mas também bizarra.

Mãe! (2017)
Enquanto eu via o filme eu não sabia se nutria mais sentimentos ruins por esse homem imprestável e egoísta ou pela moça esperançosa e tonta. Ok, eu sabia sim, eu sentia mais raiva do homem. O poeta. Aliás, o Poeta, com letra maiúscula, pra ser mais pedante. Sabe relacionamento abusivo? Multiplica por mil. Agora insere uns elementos absurdos e exagerados e o sofrimento característico dos filmes do Aronofsky. Já tá brava? Quando assistir você vai ficar mais, sério.

Onde os Fracos Não Têm Vez 2007
É gente má que vocês querem? Então Javier Bardem é o seu homem. Ele é nosso personagem também em Mãe!, o filme que eu acabei de citar. Se você não ficou com raiva o suficiente dele ainda porque achou a maldade meio sutil, pouco escancarada, quase cínica, “ah, mas a moça também era uma tapada né, fazer o quê” aqui você não vai passar pelo mesmo problema. Ainda tem o detalhe de que os irmãos Coen não são muito fãs de trilha sonora, então você é obrigado a ouvir o barulho dos próprios pensamentos nos momentos em que não há nenhuma vítima sendo assassinada friamente na tela do seu dispositivo favorito.

O Cozinheiro, o Ladrão, sua Mulher e o Amante (1989)
Não sei vocês, mas eu já sinto raiva desse título enorme totalmente desnecessário. O personagem pra gente odiar nesse filme é um gangster inconveniente e que trata todo mundo de uma maneira folgada, rude e agressiva. Para vingar a todos nós, sua deslumbrante esposa faz ele de idiota quase o filme todo, tendo um caso secreto com um dos fregueses do restaurante que eles costumam frequentar. A atuação de Michael Gambon no papel de homem ruim e desprezível é impecável. Fora isso, a fotografia e os figurinos são verdadeiras obras de arte feitas pelo estilista Jean Paul-Gaultier.

Dogville (2003)
O filme pra algumas pessoas já vai começar ofensivo porque ele não tem cenário. É só um monte de rabiscos no chão, com umas orientações escritas pra gente mais ou menos se guiar. A história gira em torno de uma moça misteriosa que chega numa vila pedindo por proteção e oferecendo em troca alguns pequenos favores. É claro que o povo com o tempo vai ficando muito à vontade e se aproveitam da coitada. Me dá raiva só de lembrar.

Esse filme merece uma menção honrosa porque Lars Von Trier já o fez com ódio. Depois de lançar Dançando no Escuro, um filme que critica os Estados Unidos, ele foi considerado persona non grata pelos americanos, que se ofenderam por ele ter produzido uma coisa tão pesada sobre eles, sendo que ele nunca nem tinha ido ao país. O Lars ao invés de se abalar inventou uma trilogia inteira pra poder xingar ainda mais os EUA. Esse é o primeiro filme da série.

O Que Terá Acontecido a Baby Jane? (1962)
Clássico é clássico né queridas? Esse eu indico pra todas as meninas talentosas que morrem de medo de terem o tapete puxado por uma invejosa e sem brilho. É um filme sobre aquele tipo de rancor que tá enraizado na alma desde a infância e que só uma boa dose de arte pra nos curar, sabe? Bette Davis e Joan Crawford estão maravilhosas e o filme não envelheceu nadinha, a história das duas irmãs que tentam a sorte no show business quando crianças continua sendo surpreendentemente interessante. E pra melhorar ainda mais, vocês têm que saber que as duas atrizes eram realmente brigadas na vida real e eram famosas for trocarem farpas publicamente. A história é tão louca que fizeram até um seriado sobre isso, chamado Feud.

E aí, gostaram? Lembraram de mais algum personagem desprezível pra indicar?