Se você quiser eu vou te dar um amor desses de cinema


Filmes românticos para assistir, romances para jamais viver.

Recentemente eu fui confrontada com um tweet que me deixou reflexiva. A moça citava a música romântica cantada por Vanessa da Mata, que já no início lança a seguinte promessa: “ se você quiser eu vou te dar um amor desses de cinema”. O tweet pergunta: “tá mas qual filme” e eu pergunto de novo: vish, qual filme?

Se vocês já me leram alguma vez na vida vão lembrar que eu não sou muito adepta dos filmes românticos. E tenho motivos pra isso. Vou listar aqui embaixo os possíveis amores desses de cinema que passaram pela minha mente cinéfila, pra ver se vocês concordam comigo:

 

TIPO 1: O filme de amor onde as pessoas se apaixonam e ficam burras

Um clássico na vida real e que a sétima arte não tem escrúpulos ao não nos poupar. Esses são os que me dão vergonha alheia e que quase me fazem desistir do amor por medo de me passar por ridícula. Como a coisa é quase que inevitável, eu amo Anna Karina fazendo Uma mulher é uma mulher (1961), numa insistente  e surrealista doçura. Não sei se dá pra dizer que ela fica burra, mas certamente fica doida. E provavelmente é isso que a torna tão amável.

Aqui dá pra citar também I Origins (2014), que conta a história de um cara todo cientista que se envolve com uma moça de olhos bonitos que é a sua perdição. Ao invés de tomar decisões racionais ele deixa se envolver totalmente pelo sentimentalismo e inconsequência (quem nunca?).

O último desse tipinho que eu vi foi Spellbound (1945), do Hitchcock.O filme tem como personagem principal uma psicanalista que se diz muito arromântica mas cai fácil no papo de um homem misterioso e com amnésia. Faz cada coisa pelo homem, que vocês nem imaginam. Quero não, obrigada.

Uma Mulher é Uma Mulher.

TIPO 2: O filme de amor que acaba dando ruim

Esses são os meus favoritos, tanto pra assistir, quanto pra jamais ter, por motivos autoevidentes. A lista de filmes assim que eu aprecio é longa, começa com Closer (e Nathalie Portman dizendo o “eu não te amo mais” mais sincero do cinema, de 2004), passa por Love (e a desgraça sem fim já esperada num filme do Gaspar Noé, de 2015) e chega até Dia dos namorados macabro (horror, né queridas? tem o de 1981 e o de 2009). As vezes é importante ver uns filmes assim pra gente agradecer aos céus se estiver solteira, num relacionamento minimamente saudável ou, no mínimo, vivendo numa cidade sem serial killers a solta. Enfim, seja qual for a situação, eu passo.

Love

TIPO 3: O filme de amor onde as pessoas morrem

Deus do céu, como eu odeio esses filmes. Desde adolescente, desde a primeira vez que vi Um amor para recordar (2002), que deve ser um clássico da minha geração, eu desprezo esses filmes com todo meu ser. E olha que eu dei chance pra esse tipo de trama, vi por exemplo Um Dia (2011) e P.S. Eu te amo (2007). O meu sentimento é sempre o mesmo: eu acho muito fácil amar alguém depois que a pessoa já morreu. Morreu, tá morto, nunca mais vai te incomodar, ocupar seu tempo, te encher o saco. Dá pra selecionar só lembrança boa, dá pra florear as histórias pros amigos e até inventar coisa, nunca mais a pessoa vai poder te desmentir.

Tá, tem umas exceçõezinhas. Amor (2012) do Haneke e Inquietos (2011) do Gus Van Sant. Mas em minha defesa, são filmes com reflexões bastante profundas sobre a morte, não só sobre o amor. Mas gostando ou não gostando dos filmes, acho que é sempre melhor ter as pessoas que a gente ama vivas (desde que a gente ame elas de verdade). Então não.

Inquietos.

TIPO 4: O filme de amor para o qual a família tradicional não se preparou ainda e portanto, não vê com bons olhos

Por fim, temos filmes tipo A mosca (1986), onde o personagem principal faz um experimento científico e vira um ser repugnante e antropomórfico. Por algum motivo que me escapa, incluíram um romance nessa história e o cientista-mosca conquista o amor da mocinha. Tem uma mensagem bonita aí, mas eu não sei qual é.

Dentre os filmes mais moderninhos, tem aquele do Joaquim Phoenix se apaixonando perdidamente por Scarlett Johansson, sabe? O único porém em Her (2013) é que ela é um programa de inteligência artificial ao invés de uma mulher de verdade.

Eu gosto muito desse subgênero de filmes de amor, mas o meu favorito é provavelmente Only Lovers Left Alive (2013), que mostra um romance tranquilo entre um casal de vampiros, condenados a eternidade. Em geral as pessoas não vêem com bons olhos gente que toma sangue humano e creio que os médicos tampouco recomendam, por mais poético que seja o cenário. Na dúvida, também não quero esses.

Only Lovers Left Alive.

E aí? Qual amor-desses-de-cinema vocês jamais querem ter?