Entrevista poética com o sommelier Wagner Gabardo


Wagner Gabardo é professor do curso de sommelier da Alta Gama e pesquisador do mestrado em Turismo da UFPR.

Sabe aquela brincadeira que alguém fala alguma coisa e falamos o que vem à cabeça?

— Poeta?

— Fernando Pessoa.

— Comida?

— Salmão.

— Dente?

— Sorriso.

Se falassem: “Sommelier” sem dúvida me viria à cabeça “Wagner Gabardo”. O Wagner foi meu professor no curso de sommelier e com um jeito elegante e poético ele germinou em mim uma sementinha vínica, um olhar amplo para este mundo fabuloso que é o mundo do vinho.

Wagner Gabardo é professor do curso de sommelier da Alta Gama e pesquisador do mestrado em Turismo da UFPR, onde estuda tradição e cultura do vinho e experiências em enoturismo. Formado na Argentina com especialização no Brasil é um “sulamericanista” no interesse de suas investigações. Para ele, o vinho é um universo inexato, sensível e emocionante, mediado por aromas e sabores.

Tive o prazer de entrevistar o Wagner e estão aí as respostas poéticas dele. Sente-se e curta, vamos aprender com o mestre!

E fica atento que tem nova turma abrindo na Alta Gama para quem está se coçando para aprender mais sobre vinho, confira na entrevista os detalhes.

 

Um “sulamericanista” no interesse de suas investigações.

Qual o vinho mais poético que já tomou na vida?

Difícil escolher um, seguem três que me emocionaram.

Viña Tondonia 1981: branco riojano do ano em que nasci, feito de viúra. Estava incrível e permaneceu intacto mesmo alguns dias após aberto.

Fernão Pires tinto Luis Pato: um falso-tinto com alma de branco, do genial Luis Pato, um vinho lúdico que brinca com a nossa sinestesia.

Gonzalez Bástias País en Tinajas: pelo lugar paradisíaco que é a vinícola onde o provei por primeira vez, pelo trabalho de resgate de patrimonio que eles desenvolvem ao vinificar país em ânfora do jeito “crioulo”;  e pelo sabor obviamente que mostra um vinho suculento e autêntico.

 

Qual o país produtor de vinho que mais o agrada?

Cada dia mais difícil ser preciso nesta resposta. Os interesses e gostos mudam a medida que trilhamos neste caminho. Se me perguntasse há cinco anos certamente diria Argentina. Sou muito grato ao aprendizado adquirido lá além de ser um amante do vinho, das pessoas e das paisagens deste hermoso país.

Mas depois preferi Portugal, Chile, Brasil e França. Acredito que a medida que conhecemos novos países viticultores, vivemos o inédito, e isso é o motor do entusiasmo. Passamos a ter um novo país preferido.

 

Qual a imagem que vem a sua cabeça quando se lembra desse país?

Argentina – a majestosa cordilheira dos Andes com os picos nevados.

Portugal – navegando no rio Douro, cima Corgo.

Chile – os vinhedos em “cabeza” da uva país no vale do Maule.

França – tomando um Beaujolais + tábua de queijos com meus amigos em Lyon.

 

Como surgiu a ideia da Alta Gama?

Conceber uma escola de difusão da cultura do vinho com uma abordagem mais humana de ensino e uma amplitude de temas que vão além do vinho. Estava cansado da visão demasiado instrumentalista do ensino da sommelerie que exige que se decore demais o solo, a denominação e suas regras, etc, sem entender a cultura, as tradições, o patrimônio vitivinícola da região que está sendo estudada.

 

 

Qual o diferencial poético das aulas na Alta Gama?

A interação dos grupos que são pequenos, máximo 15 alunos. Ao final terminam todos amigos. Para esse tipo de aprendizado grupos grandes não funcionam, inibem muitos participantes na parte mais importante que é degustar e conversar sobre o vinho provado.

Além disso a frequência das aulas, semanal, que permite as pessoas amadurecerem sobre o assunto abordado, já que são muitas informações novas para aprender. Em um semestre ninguém se torna sommelier, não se iludam.

 

Quantas turmas já se formaram? E quando abrirá a nova turma?

Desde que iniciamos, no final de 2015, três turmas. Atualmente temos uma terminando e outra em curso.

A nova turma começa 3 de julho, com encontros às terças-feiras à noite.

 

Qualquer pessoa pode fazer o curso?

Sim, desde que tenha interesse e seja maior de idade. (risos).

 

Quanto tempo de curso? E quantas horas por semana?

Ao longo de dez meses, encontros semanais de 3 horas sempre regados a bebida, mais visitas que fazemos à vinícolas da RMC.

 

Qual a dica número um que você dá para quem quer se aproximar do mundo do vinho?

Despir-se de preconceitos e tabus de consumo que são tantos.

E ter claro que para gostar de vinho não precisa entender da bebida, basta apreciá-la. Agora os que desejam saber mais, sugiro iniciar um curso.

 

Falar de vinho é falar da poética do seu terroir de origem.

E então, vinho e poesia combinam? E por quê? 

Sim, falar de vinho é falar da poética do seu terroir de origem, ou da poética da paisagem do vinho, como diria Bachelard. É falar da paixão que move os produtores a cultivar as uvas e a fazer um vinho que fale um pouco sobre seus autores e suas origens.

 

Serviço:

Alta Gama cursos e experiências

Rua Nunes Machado 1345, Rebouças, Curitiba

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(41) 998 002 032 / (41) 987 354 937

 

Wagner Gabardo

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