Vinho, poesia e rosas…

A minha história com o escritor português Jorge Marques começou através da poesia, e aí já temos um lindo motivo para a amizade. Dia 28 de Maio teremos o lançamento do seu livro, “Quinta das Rosas”, em Curitiba na Livraria Cultura às 19h30. Tive a honra de escrever o poema que abre esse livro, e também terei o prazer de abrir o lançamento.

Eu e Jorge Marques fomos apresentados por outra amiga, a Susana Melo Abreu, depois que ela nos apresentou virtualmente começamos a conversar por e-mail sobre vinho e poesia, pois eu também escrevia um livro cheirando às uvas mais perfumadas. Em uma de nossas conversas Jorge me solicitou que escrevesse um poema para a abertura do livro dele.

Como não se nega uma solicitação poética escrevi-o prontamente.

Aí está ele:

O amor do vinho

Rios não passam pelo bucólico vilarejo

Bálsamo à boca enflora os olhos

Rosas em meu peito colar das vinhas

Atravessa o vento a ninar aromas

Acidez tênue para uma noite cálida

Lábios frutados de rubros floreios

Afogueado amor pelos vinhedos olor de pétala

Beijo a casca além dos portões

Terroir de afago, mar e canção

Após mandar meu poema para o Jorge, vi uma foto de uma amiga, a Eunice Rocha, uma foto que ela tinha feito em Alto Feliz na Vinícola Don Guerino, na foto: As videiras com um colar de rosas vermelhas.

De imediato pensei no livro do Jorge, pois ele me falava muito de rosas e vinho. Não tive dúvida em mandar a foto para ele.

A foto o agradou tanto que virou capa do seu livro na Edição Brasileira.

Em Abril, Jorge lançou o seu livro em Portugal, na sua terra.

E agora em Maio, atravessou o oceano para lançá-lo aqui no Brasil.

Mas tínhamos mais perfume de rosas para chegar às nossas narinas.

Não nos conhecíamos pessoalmente ainda.

Foi então que em uma noite curitibana gelada, mas cheia de estrelas, nos conhecemos. Para mim, pareceu um reencontro e gostei do escritor de primeira.

Conversamos de tudo um pouco, e claro sobre o vinho, a poesia, o fado e as rosas.

Trocamos livros e dedicatórias, no livro que dedicou para mim entre outras palavras escreveu que fui a madrinha desse livro cheirando às rosas, pelas nossas conversas e foto.

Sinto um orgulho bom e sorrio, um sorriso diz mais que qualquer discurso planeado.

E as rosas estão aí para serem cheiradas…

Aproveitem o livro.

“Era preciso que o eleito-bebedor começasse por ficar admirado, surpreendido, mas no momento seguinte sentisse que havia ali um romance de amor entre o vinho e a rosa. E que ao beber o nosso vinho, o prazer não fosse apenas localizado na boca, no nariz, na língua ou no olhar, mas que escorresse lento pelo corpo inteiro. E já no fim, de olhos fechados e completamente perdido, ainda tivesse vontade de confessar, mas sem arrependimento:

  • Encontrei a alma do vinho!

Sim…Porque este vinho tem alma e a sua alma é feita dos vapores do Universo. E ao céu, chega-se com este prazer e não pela via da dor.”.

Jorge Marques.