Curitibanos dirigem mal? Fomos às ruas descobrir

Motoristas profissionais apontam lentidão em vias rápidas como principal causador de imprudência

Trânsito em horário de pico / Foto: Divulgação

Curitibanos dirigem mal? O site Eu Amo Curitiba foi às ruas para saber o que mais incomoda os motoristas e o que pode levar ao senso comum da população de que os motoristas da capital paranaense podem ser considerados “maus condutores”. Motoristas profissionais, que rodam diariamente nas ruas da cidade, observam, por exemplo, a insistência de alguns usuários em trafegar nas vias rápidas a 40 km/h e apontam o fato como a principal razão para a péssima impressão ao condutor curitibano.

Muitos motoristas questionam ainda a “curiosa” velocidade máxima permita nas vias consideradas rápidas (60 km/h) se o próprio Código de Trânsito Brasileiro (CTB) autoriza até 80 km/h nas vias urbanas principais em capitais do país. De acordo com os motoristas, trafegar pela via esquerda da pista, em baixa velocidade, é um dos principais causadores do caos urbano nos horários de pico. O CTB ainda reforça que trafegar nas vias à esquerda abaixo da velocidade máxima permitida é um desrespeito às normas de condução, previstas na regulamentação.

“O problema se torna ainda mais grave em horários de pico, quando o grande volume de tráfego exige que os motoristas, até em respeito aos horários das demais pessoas, andem mais rapidamente”, ressalta Joelson Mathias, de 58 anos, motorista de taxi há 16 anos.

Márcia Felipe, de 47 anos, é motorista da Uber / Foto: Leandro Bertholini

Outro grande problema apontado é a desatenção, quase sempre associada a uma tendência a não manter os olhos sempre atentos nos espelhos retrovisores do carro. Pesquisas apontam que os erros humanos são responsáveis por 90% dos acidentes de trânsito, o que muitas vezes está ligado à distração dos motoristas. Quanto ao retrovisor, a regra é clara: se o equipamento existe em todos os veículos, é para ser usado.

Márcia Felipe, de 47 anos, é motorista do aplicativo de condução voluntária UBER há 4 meses e dirige pelas principais vias da cidade em horários de pico. Ela não considera os curitibanos como “maus condutores”, porém ressalta na sua observação, que a falta de generosidade nas vias expressas, onde é preciso ser feita a troca de mão ou ainda dobrar ruas em cruzamentos, um desrespeito as leis de trânsito permitidas na cidade.

“Os curitibanos não têm instruções de localização. Muitos entram em contramão ou atravessam os sinais vermelhos. Eu acho muito imprudente também a forma como os carros lidam com as motos aqui. As motos também possuem o direito de circular nas vias e muitas vezes são desrespeitadas, o que gera muitos acidentes com vítimas”, conta Márcia.

Para Leo Campos, 40 anos, ator carioca morando na cidade há aproximadamente um ano e meio a comparação com uma capital metropolitana como o Rio de Janeiro é inevitável. De acordo com Campos quando ele chegou à cidade foi difícil a adaptação nas vias com velocidade máxima de 60km/h já que no Rio de Janeiro as vias expressas têm velocidade média de 80 a 90 km/h e em alguns casos podem chegar a 100km/h em vias expressas que ligam a capital as regiões metropolitanas do Rio.

“Com certeza a lentidão no trânsito diminui a gravidade em caso de acidentes, porém o trânsito atravancado faz as pessoas perderem a qualidade de vida nos seus deslocamentos diários”, conclui Leonardo.

Leandro Bertholini

Leandro Bertholini é jornalista, ator, dramaturgo e roteirista com ampla experiência na área de produção cultural. É formado em jornalismo pelas Faculdade Integradas Hélio Alonso (RJ) e pós-graduado em Jornalismo de Políticas Públicas e Sociais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). É fundador e produtor da Companhia de Teatro Autoral do Rio de Janeiro, grupo teatral que já percorreu mais de 30 cidades em 10 estados brasileiros. É autor do premiado espetáculo “As Mulheres da Rua 23”, vencedor de diversas categorias nos principais festivais de teatro do país. Pela dramaturgia e atuação no espetáculo recebeu 27 prêmios e mais de 30 indicações em festivais nacionais. Foi professor de interpretação no Teatro Miguel Falabella (RJ) e oficineiro em diversos eventos e festivais de teatro. Leandro Bertholini formou-se na escola de Teatro O Tablado e atualmente integra a Cia do Abração de Curitiba/PR, onde também ministra aulas de interpretação e criação teatral. Aqui no Eu Amo Curitiba, Leandro Bertoholini escreve para diversas colunas e nos atualiza sobre o que está acontecendo no campo das artes, o que tá rolando na cidade, o comportamento curitibano e o melhor do entretenimento, lazer e gastronomia.