45 anos de música no Teatro Paiol


Como o primeiro movimento organizado pelos compositores do sul deu origem a um dos LPs mais emblemáticos e pouco conhecido na música?

Foi em 1973, quando o cenário de Curitiba instituía a sua Fundação Cultural e no recém-inaugurado Teatro Paiol, a cena artística da cidade começou a ampliar a discussão sobre o fomento e a produção musical na capital paranaense. Não muito distante, em 1975, a produção da música popular ganhou força com os encontros promovidos pelo MAPA (Movimento de Atuação do Teatro Paiol), onde no ano seguinte, com a participação de inúmeros músicos, lançaram o primeiro long-play com o intuito de posicionar o Paraná na produção musical brasileira, ou seja: o eixo rio-sampa.

Entre eles estavam algumas figuras emblemáticas para se compreender o cenário contracultural da música em Curitiba naquele período. Celso Pirata, Tátara, Paulo Leminski, José Oliva, Gerson Fisbien, entre outros, encabeçavam um dos grandes movimentos que tinham o organograma público como aliado na produção, disseminação e fortalecimento do cenário musical de Curitiba.

Outra figura emblemática que integrava a trupe e talvez menos conhecida no cenário nacional, porém com imensa contribuição principalmente no legado do samba curitibano foi o cantor e compositor, Lápis (1941-1978). Ele foi parceiro de Paulinho da Viola, produzido músicas para os Originais do Samba, Eliana Pittman (Silêncio). Dóris Monteiro (gravou sambas-enredo: Liberdade e Volta do sertanejo) e integrou o conjunto Bitten-4, formado por Fernando, Anadir e Dalton.

Palminor Rodrigues Ferreira, apelidado de Lápis começou na música aos 12 anos de idade tocando pandeiro na Rádio Marumbi. O primeiro sucesso foi aos 18 anos quando compôs sua primeira música, “Vestido Branco”. (Foto: Arquivo pessoal).

Embora o MAPA tenha durado menos de um ano, justamente pelo mesmo discurso arrastado há meio século entre os músicos, sobre o papel altruísta entre: os que disseminam de um lado, o pensamento artístico (eu componho, eu canto, eu gravo, eu produzo, eu vendo) e por outro a discussão política (com qual incentivo compor? Como fomentar o canto? De que forma gravar? Como distribuir e vender?). Assim como qualquer movimento, sempre haverá duas margens complementares. Sejam estas acatadas pelo todo ou meramente não-assertivas.

Como funcionava os encontros do MAPA e o long-play esquecido 

Durante algumas segundas, o grupo se reunia no Teatro Paiol, e lá realizavam pesquisas, discutiam e produziam músicas. Considerado o primeiro movimento organizado pelos compositores do Paraná, a divulgação do artista era o estopim primordial entre todo o MAPA. E com o auxílio da Fundação Cultural de Curitiba (FCC), em 1976, o movimento lançou um dos principais discos da música Brasileira e ainda possibilitou a ruptura marginalizada que o violonista ocupou até o final da década de 1960, e o inseriu no hall dos profissionais do cenário musical.

Com músicas de Antônio Carlos Buono, Celso Renato Loch, Paulo Leminski, Sérgio Maluf, Phebus Moschos, Marinho Galera, Paulo Vitola, Gerson Fisbien, José Oliva e Luís Fernando Amaral.  O long-play MAPA, é um dos discos significativos para se compreender o processo da construção musical em Curitiba. Considerado pelos críticos e estudiosos da área como um dos primeiros discos da melhor fase da MPB curitibana, junto dele, na mesma década, outros movimentos como o Sexta na Praça e Parafernália foram grandes marcos na evolução do artista que era reconhecido no bar e aclamado nos teatros e auditórios. Um exemplo notório desta situação, foi o projeto Bicho do Paraná, onde enalteciam os grandes nomes do estado. Mas, esta já é outra história.