Bruno Oxe sabe a fórmula sobre como empreender na música!


Em entrevista, o frontman da banda OXE conta sobre os discos premiados ao longo da carreira e revela as dificuldades no cenário

O músico e produtor musical, Bruno Oxe é uma figura sem papas na língua. Objetivo, direto, sem firula e sem floreios. Na lata, ele já solta uma retórica de longa data entre as inúmeras discussões sobre o cenário musical na capital.

 

Curitiba é uma cidade extremamente musical, mas a música da noite curitibana é velha. Não estou falando que é ruim, mas é muito cover e classic rock por metro quadrado. A música nova fica sem palco, sem representatividade na noite, constata o músico.

Pernambucano radicado em Curitiba, ao longo dos anos, desde o primeiro álbum, Que Peste é Isso (2005), a banda OXE traz em sua discografia, Karranka (2009), lançado durante o Festival SXSW em Austin no Texas com o qual conquistaram dois troféus no Prêmio Levi`s Be Original (Melhor Música e Melhor Clipe Animação). E com o recente trabalho intitulado OXE a banda levou neste ano pra casa dois prêmios durante o Prêmio Profissionais da Música 2018 (Melhor Artista Rock e Melhor Projeto Artístico).

Assistindo ao filme Deus é Brasileiro, quando tocou as nossas duas músicas e o Cacá Diegues me perguntou, ‘e ai bruno, superou as expectativas’, foi ai que eu decidi que tinha que virar a chave e arriscar tudo em São Paulo, revela Bruno Oxe sobre o estopim da sua carreira artística.

Os dois últimos álbuns lançados pela OXE  foram produzidos pelo músico, violonista e baixista, Fernando Nunes. O produtor alagoano é conhecido por ter acompanhado Cassia Eller entre 1994 e 2001. Além de ter participado de projetos com Caetano Veloso, Ivan Lins, Alceu Valença, e integrar até hoje a banda de Zeca Baleiro. Quem também assina as produções é Brendan Duffey responsável pelo Norcal Studios, na California, onde já trabalho com artistas como Sambô, Angra, RPM, 50 Cent, Tihuana, entre outros.

Pessoalmente a minha maior dificuldade aqui na cidade, continua sendo fazer conexões com os artistas e produtores, os profissionais não entenderam ainda que conexão é a chave para o mercado aquecer novamente. Trabalhar sozinho vai ser muito mais demorado e doloroso, afirma.

Em entrevista ao Eu Amo Curitiba, Bruno Oxe fala com exclusividade sobre como o empreendedorismo musical e as dificuldades enfrentadas no mercado fonográfico possibilitaram com que o frontman da OXE consolidasse uma das principais bandas do país. No dia 13 de setembro, o músico realiza a oficina Empreendedorismo musical: como vender o seu projeto artístico em 5 minutos?  saiba mais aqui! 

“Nem todos estão abertos as novas possibilidades, querem a velha fórmula do sucesso”. (Foto: Divulgação)

ENTREVISTA

A partir de qual momento a música floresce na sua essência ao ponto de você incorporar em seu repertório artístico o ofício de músico?

Assistindo ao filme Deus é Brasileiro, quando tocou as nossas duas músicas e o Cacá Diegues me perguntou, ‘e ai bruno, superou as expectativas’, foi ai que eu decidi que tinha que virar a chave e arriscar tudo em São Paulo.

Você já se apresentou em diversos festivais e feiras de música. Atualmente, qual a importância para um músico ter plena consciência sobre todos os processos da cadeia fonográfica e cultural?

É imprescindível que o artista hoje em dia saiba qual o seu papel no mercado atual. Ele tem que parar de terceirizar a culpa e assumir os riscos de seus erros e acertos para assim, entender como funciona o mercado e as novas ferramentas. Conexão, propósito e gerar valor, fazem a diferença nesse momento que o mercado esta passando.

Ao longo dos anos, a forma de se produzir música tem se modificado de maneira constante. Para você, quais são as principais dificuldades em se habituar com essa realidade e onde buscar referências para se atualizar?

Pra mim, a maior dificuldade que vejo nos artistas é o preconceito de aceitar o novo. Esquecer os padrões pré-definidos e aprender novas possibilidades, assumir o mindset evolutivo, 1% melhor a cada dia. Isso dá trabalho, exigi foco e comprometimento com aprendizado. Nem todos estão abertos as novas possibilidades, querem a velha fórmula do sucesso.

Radicado em Curitiba, e mesmo com o seu trabalho consolidado tanto no Brasil quanto fora, como você observa o cenário musical produzido na cidade e quais são os empecilhos que você vivencia sendo músico?

Curitiba é uma cidade extremamente musical, mas a música da noite curitibana é velha. Não estou falando que é ruim, mas é muito cover e classic rock por metro quadrado. A música nova fica sem palco, sem representatividade na noite. Austin no Texas, é a capital mundial da música ao vivo, e Curitiba é a capital mundial do cover ao vivo. Percebi que “música autoral” aqui na cidade, é sinônimo de música ruim. isso se criou, por falta de profissionalismo no meio autoral, tanto nos artistas, quanto nos produtores e donos de casas, essa é a minha percepção. Claro que existem várias exceções. O artista autoral precisa entender que o seu trabalho vai concorrer com hits do mercado para poder tocar na noite. Tem que ter uma música com conteúdo relevante, com refrão forte e muito profissionalismo. No mercado atual, não tem mais espaço para amadores. Pessoalmente a minha maior dificuldade aqui na cidade, continua sendo fazer conexões com os artistas e produtores, os profissionais não entenderam ainda que conexão é a chave para o mercado aquecer novamente. Trabalhar sozinho vai ser muito mais demorado e doloroso. Conexão de verdade, com propósito, gerando valor para somar e colher juntos lá na frente.

Da música produzida em Curitiba, o que você tem escutado atualmente?

Eu escuto muita coisa, pois sou produtor musical e tenho que esta conectado com o mercado, tanto no Brasil quanto fora dele. Em Curitiba eu escuto vários artistas, assim que conheço já vou ouvir, conheci três artistas agora que são os 2 lobos, voraz e, a Uyara Torrente. Mas já ouvi muitos artistas da cidade, quando a minha banda Oxe participou de um festival da Sony aqui, conhecemos vários artistas, foi bem interessante.

O que você ama em Curitiba?

Essa é a pergunta mais difícil de responder, pois eu amo muito essa cidade, tenho um carinho e respeito muito grande por tudo que ela me proporciona. Mas têm duas coisas que me emociona muito aqui, são os meus amigos e os meus alunos, eles fazem essa cidade ser muito mais fantástica.