Vamos falar sobre Lápis, um compositor paranaense


A música de Lápis era apurada e uma das suas qualidades era a mistura de vários ritmos como jazz, samba-rock, mpb.

Compositor paranaense, Lápis – o rei negro

O nome Palminor Rodrigues Ferreira se personificou no apelido recebido nos tempos de trabalho nos Correios. Eclético nos estilos musicais pela rotina de apresentações na noite curitibana. Lápis era como o chamavam nas rodas de samba da alta boemia curitibana – um dos mais expressivos compositores paranaenses, reconhecido no Brasil afora pela sofisticação técnica que elevou o samba paranaense para outro patamar.

Um pandeiro e um violão
Nascido em 5 de outubro de 1943, no bairro Mercês, Lápis era filho de uma família numerosa da qual era o 21º filho. O pai carioca, se instalou em Antonina e com samba nas veias foi um incentivador por carnaval por lá. Na família, o contato com a música e as lições do pai eram entendidas como parte da educação como é a alfabetização.

As primeiras canções foram compostas ainda na infância e quase na clandestinidade, com cavaquinho do irmão Lalo que Lápis pegava emprestado escondido. A primeira apresentação pública foi aos 11 anos com um pandeiro ao lado do grupo Regional do Zé Pequeno no “Programa Ciranda” Infantil na Rádio Morumbi. Aos 18 anos, o músico compôs seu primeiro sucesso – Vestido Branco.

Todos os estilos
A música de Lápis era apurada e uma das suas qualidades era a mistura de vários ritmos como jazz, samba, mpb. Em 1958, formou com alguns amigos o grupo Tryanon, que se apresentava em clubes do bairro em que morava. Nos anos 1960, Lápis criou o quarteto Bitten IV.

A visibilidade nacional veio com a mudança do músico para o Rio de Janeiro onde  desenvolveu trabalhos em parceria com grandes nomes, como Eliana Pittman e dividiu o apartamento com ninguém menos que João Gilberto. Também se tornou conhecido por suas apresentações em festivais de músicas e programas de TV acompanhado pelo Bitten IV.

Retornou à Curitiba em 1974, dando continuidade a sua carreira. Em 1975, Lápis lotou o Teatro Guaíra com o show mais importante da sua carreira “Funeral para um rei negro”.

Partida
Três anos depois, Lápis deixa o samba de luto falecendo aos 36 anos, após uma cirurgia no coração.

Depois de quase 40 anos de sua ausência, o compositor, afinal, tem recebido o merecido reconhecimento ao inspirar canções como a do rapper Marinho do Rap, que usou o Lápis nas suas composiçõesOu, ser o tema documentário “Feito a Lápis” dos produtores Vinicius Camilo e Gabriel Eloi. E valer o trabalho de pesquisa e publicação do acervo do compositor no blog criado por Bia Lanza “Memória, Saudade, Música e Lápis”.

Ilustração cartunista Solda

Este ano o compositor foi homenageado com exposição e uma série de shows no MIS -Pr

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