Feirinha no Quintal também é Rolê de Moda

Quanto mais a gente explora Curitiba, mais a gente percebe o quanto tem coisa pra descobrir ainda. Ô cidade cheia de esconderijos maravilhosos! E o que eu conheci mais recentemente é um quintal enorme, bem no centro de Curitiba: os fundos da Casa Brasileira. Localizada na Saldanha Marinho, ela é uma hospedaria fofíssima, e agora é palco pela terceira vez consecutiva do evento Feirinha no Quintal, que é justamente onde eu estive no último domingo, dia 6.

 

A Karen é organizadora do evento, e eu conversei um pouco com ela pra entender melhor sobre a Feirinha, e tudo o que ela representa. Bora ver?

“Eu sou voluntária na instituição Centro Comunitário Dr. Hugo Dehé, e a Clô, que é dona da Casa Brasileira, também é voluntária lá. E eu conheci o quintal a partir disso. A gente tinha feito outros eventos que não chegaram a ter uma arrecadação tão interessante, porque a gente atende crianças, mães… Dá uma despesa, porque todo sábado a gente faz almoços, além das atividades de esporte. Pra manter esse projeto, a gente basicamente faz a parte de eventos: feijoada, refeições. Então eu pensei: vou explorar esse local, um quintal maravilhoso no centro da cidade, de fácil acesso. (…)

Não tem muito erro, a gente traz comida, a gente traz bebida, traz uns “mimos”, tudo de produtores locais, e que acabou trazendo agora essa questão de sustentabilidade, que eu acho muito importante. (…)

A causa é beneficente, a gente precisa desses eventos para manter. Mas ao mesmo tempo, acabou virando uma paixão minha, e agora eu tenho um sócio que me ajuda na produção, e ela vai crescer para além da Feirinha no Quintal – SPOILER!!! #aguardem

Eu espero que tenham mais eventos, e que tragam sempre novidades. Hoje a gente trouxe mais expositores, diferentes, pra sempre renovar o público e quebrar a bolha. Curitiba tem esse lance de bolha, em que você vive num círculo social e é só essa galera que você conhece. Então é assim, se eu trago uma pessoa que eu não conheço pra expor, ela vai trazer uma pessoa que eu não conheço pra visitar a Casa. E vai abrangendo.”

 

No evento tinha um pouquinho de tudo (inclusive muita música, com os artistas da Idade Média Moderna, El Tropikano, Los Entradas, Gosmma, Corazón e GABS), dá uma olhada:

– Bazar do próprio Centro Comunitário, com alguns produtos autorais também

– Flash com os tatuadores do Vslumbre Ateliê

– Os cosméticos caseiros da Raiz

– Plantinhas e suculentas da Cida

– Cadernos e quadrinhos da Lascaux

– Camisas, croppeds, e muito mais da Hype Brasil

– Molhos apimentados da Brutos

– Acessórios e camisetas da Me, Lola

– Chopps da Cervejaria Xamã

– Brigadeiros gourmet, os Janadeiros

– Comidinhas da Space Dog Vegetarian

– Crepes da Fraternité Crêpe

 

E é claro, como eu sou muito rolezeira da moda, não podia deixar de dar uma atenção especial para os três expositores de roupas, então entrei nas barraquinhas do Hype Brasil, do bazar do Centro Comunitário, e da Me, Lola. Cada um deles tem sua história muito curitibana e apaixonante, que eu adorei conhecer pessoalmente.

O primeiro deles foi o Me, Lola, uma marca de acessórios que agora já tem até camisetas estampadas, todas da cor favorita da dona, a Helena:

“A marca surgiu bem sem querer, há uns dois anos, porque eu trabalho com produção de moda, principalmente com fotos. E para várias fotos eu criava acessórios para dar algo a mais, por exemplo para marcas de roupa, às vezes faltava um acessório pra compor o look. E aí eu comecei a criar uns acessórios pra deixar o look mais bonito e várias amigas vieram querer comprar os acessórios. Como eu levanto a bandeira das mulheres, defendo esse rolê, acabei juntando isso com alguns conteúdos da internet, no instagram da marca, que é tudo bem cor de rosa, pra juntar a questão do feminino com o empoderamento. E junto com isso, acabei criando as camisetas.”

 

Depois corri pra tenda do bazar do Centro Comunitário, cheeeeia de roupas e bolsas lindas, com preços super em conta. E a Viviany, que ajuda a fazer esse rolê funcionar, me explicou um pouco sobre ele:

“As roupas são doadas, seminovas normalmente, que ganhamos dos nossos parceiros, que são muitos. São roupas que às vezes vêm com etiqueta, então a gente não tem uma marca ou um perfil. Nós ganhamos muita roupa de mulher, de criança, que é o perfil em que nós somos mais ‘consumistas’, então a gente troca essas roupas com mais facilidade. Aí o Centro tem sua própria confecção, faz uns 5 anos, com oficina gratuita: as mulheres da comunidade vão na oficina e produzem as bolsas, penais, estojos e necessaires de tecidos que a gente ganha, de lojas, com a marca da Casa Amarela, que é de lá mesmo.

A Casa tem mais de 10 anos, e o bazar foi uma das primeiras coisas que surgiram, porque a gente ganhava muita roupa. Nós doávamos tudo para as pessoas da comunidade. Mas eles diziam que ganhavam roupas que não estavam precisando, porque não tinham como cuidar de tanto. Aí com o bazar eles compravam aquilo que precisavam, e foi assim que começou. (…) E são valores simbólicos, com peças de roupa que a gente sabe que custam R$200, e a gente vende a R$20. É uma rede, em que um vai puxando o outro.”

 

A Ivani, também do Centro Comunitário, completou:

“A gente mantém as crianças com a renda do bazar. Os profissionais são todos voluntários, e precisamos mais, de todas as áreas. Porque são crianças que realmente precisam.”

 

E por último, passei pelas araras da Hype Brasil, repleta de cores e estampas. A Karla me contou como começou:

“Eu trabalho com moda há 17 anos, e uns anos atrás eu criei a Hype só que com outro formato. Depois, uns 3 anos atrás, eu voltei com a marca, mas com essa pegada mais brasileira. O primeiro teste que eu fiz com essa linha foi no Psicodália, que é onde eu mais vendo, e deu super certo. A galera curte pra caramba essa pegada mais tropical, com o tecido levinho. As estampas também eu procuro dar um tom mais exclusivo. Tem vários tipos de peças, mas o foco mesmo são as camisas, todas unissex. (…) Os tecidos eu compro em São Paulo, garimpando, e a confecção é terceirizada, daqui de Curitiba mesmo, com produtores locais. (…)

Eu tento ser mais sustentável, os resíduos eu destino tudo para acessórios, eu tento não produzir lixo, tento fazer edições limitadas. (…) Um dos feedbacks principais é que a roupa ajuda a pessoa a se encontrar, e que chama atenção nos rolês.”

 

Minha vontade era passar a tarde naquelas tendas mergulhando naquelas roupinhas, mas tinham alguns looks do lado de fora do rolê que também puxaram meu olhar pra fazer um mini Rolê da Moda – edição Feirinha.

 

Por exemplo, eu PRECISAVA tirar uma foto da Lauren, por um único motivo: jeans!!! Ela fez uma super combinação de jeans com jeans que eu não consegui deixar de lado: a camisa por baixo da jardineira ficou super fofa, e bem leve, bem a cara do rolê mesmo. E com um sapato e bolsa com cores neutras, cru e marrom, que só adicionam no look. <3

 

 

 

E a Julie, então, nem se fala. Com uma mistura de grunge, militar e indie, as cores ficaram apaixonantes juntas (vamos combinar que esse cabelão maravilhoso ajuda, né?). O lenço é uma super tendência, principalmente pro inverno, e o vestido como peça única e lisa ficou perfeito.

 

Eu só vou encerrar esse Rolê porque não quero entregar o ouro da Feirinha, do Centro Comunitário e da Casa Brasileira, rsrs. Só digo que amei, e me senti muuuito acolhida por todo esse clima: bora pras próximas edições!

Verônica Melhem

Verônica Melhem é graduanda de Publicidade e Propaganda na UFPR, trabalha com redação e mídias sociais, atualmente cantora e figurinista do Coro Cênico de Curitiba, assim como foi no Grupo de MPB da UFPR. Traz um pouco do interior do Paraná pra cá, apesar de ser muito mais a cara de Curitiba do que qualquer outra coisa. Sempre trabalhou a moda em si mesma, e adora ver o que vem das passarelas pra rua e vice-versa. E agora vai contar um pouquinho sobre como é esse rolê.