Meditação na prática – como eu faço isso? A trilogia da meditação - Capítulo 3

Na teoria pode ser fácil, mas a meditação na prática ainda pode parecer complicada. Então, além dos dois primeiros posts dessa trilogia (desmistificando e falando sobre os benefícios da meditação) decidi finalizar essa trilogia meditativa te contando sobre a minha prática.

Eu não me considero uma “meditadora profissional” (existe isso?) mas há alguns anos tento praticar a meditação com uma certa frequência. Existem épocas que fico dias sem meditar e às vezes medito por vários meses sem falhar nenhum dia. Meditar é um exercício (para a mente) e, como qualquer exercício, se você não praticar, vai evoluir com mais dificuldade.

Domingo passado (por uma sincronia do destino) eu participei de um retiro de meditação de um dia. Como eu sabia que ia escrever esse texto aqui, fiquei atenta para os insights que eu poderia compartilhar com você.
Todos chegamos no Projeto X às 9h30 da manhã, entregamos nossos celulares e relógios na recepção, e às 10h começou oficialmente o retiro – e o nosso silêncio. Além de meditar, ninguém (nem eu, que sou tagarela) falou nada durante 8 horas.
E aí estão as lições que eu anotei para te contar:

Meditação na prática exige silêncio (interno)

Não dá para querer meditar conversando com as amigas, isso é meio óbvio. Mas meditar precisa realmente de silêncio. Isso inclui silenciar as possíveis fontes de distração, como os celulares e relógios, que ficaram guardados bem longe da gente para evitar a tentação de dar só uma olhadinha.
O que não precisa é que você fique em um lugar de completo silêncio, até porque, você vai perceber que isso é impossível. Como você vai estar em silêncio e sem interrupções, vai conseguir perceber todos os pequenos barulhos que existem no mundo. Focar em um dos sentidos, nesse caso, a audição, é meditação na prática! Escutar os sons que estão ao seu redor, apenas observando, sem julgar, sem pensar no que significa, sem interagir, sem questionar.

como meditar na prática
#paracegover a imagem mostra um jovem monge de cabeça raspada e vestido com um traje típico marrom. Ele está sentado em posição de lótus e com as mãos unidas, de olhos fechados, meditando. Atrás dele, vêem-se árvores e a luz do sol por entre os galhos.

Meditação na prática não exige que você fique completamente imóvel

O retiro durou 8 horas e logicamente ninguém ficou completamente estático esse tempo todo. Fazíamos várias práticas de meditação intercaladas com pausas, em que podíamos levantar, esticar as pernas, caminhar.
Tivemos intervalos para almoço e lanche da tarde. Mesmo durante esses intervalos, a prática continuou: o silêncio foi mantido por todos, e a alimentação foi um exercício de meditação. Prestamos atenção no gosto, no cheiro, na textura da comida. Comer com atenção total ao que se está fazendo, também é meditação (e acontece em movimento).
Eu faço isso durante as minhas aulas de natação. Enquanto estou na piscina, me concentro nos barulhos que escuto dentro e fora da água, na respiração, nos movimentos de cada músculo. Então eu medito enquanto eu nado.
E no primeiro post da trilogia eu comentei sobre ter meditado enquanto fazia pão de olhos vendados. Esse foi um workshop diferente, em que, vendados, recebíamos os ingredientes para misturar e fazer a massa do pão. E eu decidi praticar meditação. Prestar atenção na textura de cada ingrediente, em como a massa ia se formando e mudando cada vez que algo novo entrava na tigela. Mais uma prática de meditação em movimento.

como eu posso meditar
#paracegover a imagem é uma foto recortada, que mostra apenas as pernas de uma pessoa sentada em posição de lótus, sobre um tapete azul, com as mãos apoiadas nos joelhos.

Meditação na prática pode doer

Ficar sentado de pernas cruzadas por 8 horas pode doer, sim. Não estou falando isso para você desistir de meditar, mas para entender que até a dor faz parte do processo. Se você percebe que a dor está ultrapassando o seu limite, mude de posição, estique uma das pernas, encoste na parede. E continue meditando.
Seu corpo vai enviar sinais de dor para tentar te desconcentrar. Ele também vai criar coceiras, tosse, espirros, tudo para te distrair. Mas como você já sabe disso de antemão, pode decidir se, como ou quando vai reagir a esses sinais.
E não vale usar a desculpa de qualquer dorzinha para se mexer. Quando se medita por períodos curtos, é importante perceber que é possível não prestar atenção nessa dor e manter a prática até o final. Se for preciso, medite encostado na parde, para manter a coluna reta mas não ficar sem apoio, geralmente isso diminui as dores.

 

Depois de meditar, você esquece de todas as dificuldades e foca nos benefícios

Todas as pessoas que participaram do retiro comentaram que não foi fácil.
Não poder falar parecia o maior desafio, no final do dia, todo mundo percebeu que poderia ficar em silêncio por mais tempo.
O celular e as redes sociais foram esquecido facilmente (e eu fiquei 24 horas offline nesse final de semana, mas isso vai ser história para um outro dia), porque o foco estava em outro lugar.
Ficar sem relógio e não querer controlar o tempo foi libertador. Eu notei que mania de checar a hora a cada 5 minutos é completamente inútil.
O físico foi o mais difícil para todo mundo. Todos comentaram que inicialmente foi bem difícil superar a dor, que achavam que ia incomodar demais. Mas com o tempo, mudando de posição e aceitando o apoio da parede, foi possível manter o foco no que era importante.

E todos saíram com a sensação de que valeu muito a pena. Nenhuma das dificuldades impediu a prática e superá-las trouxe motivação para continuar meditando em casa.

Faça o teste

Se você não acredita, faça um teste. Não precisa meditar por 8 horas seguidas. Medite por 10 ou 5 minutos.
Enfrente o tédio, a coceira, a dor, concentre-se na respiração e esqueça de todo o resto. Deixe os pensamentos livres para irem embora na mesma velocidade que aparecem.
Depois de alguns dias praticando por 10 minutos, comece a meditar por 15. E aumente esse tempo progressivamente.

Se você decidir fazer esse teste, comenta lá na fanpage do Facebook o que você achou!

Fica susse, foco na respiração e até o próximo texto! 🐌

 

Cibele Castro

Cibele Castro já foi médica e trabalhou no mundo corporativo. Hoje é Slow Life Coach: acompanha pessoas para alcançarem seus objetivos respeitando seu ritmo próprio. Cibele acredita que o ideal é incorporar o Slow Life ao seu estilo de vida antes que o excesso de velocidade se transforme em ansiedade, hipertensão, depressão e outras consequências negativas. E garante que isso pode ser feito independente da sua profissão, idade ou cidade onde mora. Cibele assina a coluna "Tô Susse" aqui no Eu Amo Curitiba, que fala sobre comportamento e rotina curitibana, ditando uma nova ordem - DESACELERE.