Experiência poética Vinhote de Bolso

Um encontro descontraído para a poesia.

Subi as escadas do Mezanino das Artes e a equipe do Eu amo Curitiba já estava organizando tudo. Para mim, a experiência “Vinhote de Bolso” já havia começado na entrada do estabelecimento com o meu nome escrito a giz no quadro negro na porta do evento.

Os livros foram organizados no “palco” e vários poemas soltos espalhados por ali. Com a chegada de alguns amigos pedi uma taça de vinho. As poéticas variadas conversas deslizavam lá e cá.

Meu coração estava ditoso e minha mente entrou em sintonia poetizada, sem julgar qualquer coisa. Eu sabia que a noite seria animada, mas depois de duas taças e conversas com pessoas que eu tinha acabado de conhecer, o play no ao vivo do facebook, deu o play na tertúlia, encontro descontraído para a poesia, como eu gosto de chamar.

Começava a primeira experiência Eu amo Curitiba e tenho a grande alegria de ter sido o “Vinhote de Bolso” a minha coluna que junta estas minhas duas paixões, a poesia, paixão antiga e o vinho, paixão recente, ainda paixão mesmo, a poesia já é amor.

Comecei com um poema de Charles Baudelaire, uma ode ao vinho; depois um poema do meu livro, “Olhos de Mar Cheios de Água”, chamado “Uma pergunta ao oceano”, e para fechar o primeiro bloco em grande estilo o “meu” poeta Alberto Caeiro.

Os olhinhos derretem ouvindo Caeiro e meu coração canta sem ver o Rio de Janeiro.

Vieram as pessoas, e como participaram e como são poéticas! Teve até filha lendo trovas de pai trovador, um luxo, só no Vinhote.

O segundo bloco teve mais Caeiro e “Não vem pra Recife, seu patife” poema do meu primeiro livro, “Joni Depi me chamou pra ir ao samba”, uma patifaria, as pessoas riem por serem patifes ou por terem sido alvo de uma patifaria daquelas.

Então veio o Rafael Espírito Santo, a falar um pouco da poesia do vinho. A gente ria até sem se dar conta. E era aniversário dele, aniversário no dia Mundial da Poesia. O amigo do Rafael que não é bobo nem nada subiu a escada de fininho e leu um poema dedicado ao aniversariante.

No terceiro bloco, depois de cantos e palavras de Castrão dedilhando suas músicas autorais e Mariana Martins lendo poema meu; cheguei rasgando tudo, metendo o pé na porta, dando porrada com “Poema em Linha Reta” de Álvaro de Campos e terminei com Pablo Neruda bebendo o vinho do nosso corpo.

No fim, em minha taça descansava o último gole de vinho tinto deixado ao lado das poesias soltas, ali tinha uma experiência nova cheia de aromas e sabores, tombei o líquido na língua e me enchi de abraços dos poéticos presentes: poesia, pura poesia!

A poesia ainda continuou com as nossas conversas poetizadas harmonizadas com vinho. Eita experiência boa para guardar dentro dos olhos.

Guardei lá no fundo dos meus, no meu baú poético.

Eu gostei muito, às vezes a lembrança volta lá para pegar informações e deixar o próximo ainda mais vibrante.

Vejo você nas próximas experiências!

Brinde poético!

Bye

 

Debora Corn

Débora Corn é uma poetisa, escritora que vê poesia em tudo e escreve: poemas, crônicas, romances, anedotas, contos, textos, peças, papos, beijos, ironias, barcos, liberdade, gols. Sempre foi poetisa; descobriu isso antes de ir lançar o primeiro livro em Portugal em 2014, por acaso achou caderninhos onde anotava sentimentos desde os nove anos, revendo achou ali um pouquinho da sua ferocidade, tristeza, ironia, afabilidade que encontra em sua poesia hoje. Claro que de lá pra cá muitas coisas aconteceram... Formou-se em Artes Cênicas, lançou dois livros em Portugal, escreve para uma revista portuguesa, fez um quadro de literatura em uma rádio portuguesa, lançou o terceiro livro de poesia na Feira Nacional de Ribeirão Preto, está a escrever um romance, concluiu um curso de Bem-estar e Literatura na Universidade de Warwick. Apaixonada pela palavra diz poemas ao cair da noite.