No aconchego de um apê!

Era segunda, último dia de julho e a noite já abria seu ofício. Sete horas pra ser mais exata! Caminho em direção ao meu compromisso! Rua Treze de maio, APê 1001. Passos calmos, tempo aprazível , mesmo sendo inverno em Curitiba.

Toco o interfone, subo as escadas e um cheiro inebriante de algo sendo cozido toma meus sentidos como num frame de desenho animado.

Um rapaz sorridente me atende e convida a entrar num espaço encantador!

 

 

Enquanto ele finaliza a conversa com um amigo, sento me no sofá e sou levada à outra dimensão em questão de segundos! O lugar é uma graça, tem um quê de nostálgico, parece os apartamentos cariocas da década de 50,  é quente e creio que dizer aconchegante às essas alturas ia me parecer um pouco pleonasmo.

Eduardo Ramos, me conta com os olhos cheios de paixão que o APê da 13 surgiu  inicialmente da necessidade de se ter uma sala para ensaios. O lugar  estava sem uso  até então e por conta disso, lhe pareceu o espaço ideal.  Aos poucos, o lugar  foi tomando forma, sendo ocupado, pela Cia de Eduardo e por outros artistas da cidade. Primeiro veio um, depois outro, e mais outro, e mais outro, até que o APê foi pegando o feeling; ganhou uma caixa preta e uma cara de espaço cultural elegantíssimo.  E claro, diferente, pois se trata do primeiro andar de um prédio residencial, onde aliás, segundo Eduardo, todos apoiam!  Já com uma  certa rotatividade  e um burburinho causado pelo inusitado do espaço, Eduardo aproveitou o ensejo da realização do Festival de Curitiba desse ano e lançou  a Mostra Teatro de Segunda,  que iniciou com leitura dramáticas, como um pretexto para reunir artistas e simpatizantes. A Mostra recebeu artistas de outros países e do Brasil, chamando a atenção do público para o APê.

As  pessoas diziam: Tá tendo um festival dentro de um apartamento! Conta Eduardo. Foi um grande espaço aberto às trocas e possibilidades de diálogo.

Afora isso, o espaço já abrigou shows musicais, lançamento de livro, oficinas de dramaturgia, exposições, brechós e ainda vem mais coisa por aí, como é o caso do Chapéu Musical, que se trata de um show  com Alexandre Scott .

O espaço está aberto a qualquer pessoa que tenha uma boa ideia e vontade de realizá-la!

Comenta o anfitrião com seu largo e sincero sorriso.

Eduardo Ramos segue com um brilho peculiar nos olhos e muita garra para empreender. E nós do lado de cá, só podemos dizer:

  • É isso ai, Eduardo! Evoé! Vida longa ao APê da 13!

 

 

 

Cleo Cavalcantty

Cleo Cavalcantty é mineira de Barbacena, atriz, produtora, contadora de histórias, formada pelo grupo de teatro mineiro Ponto de Partida. Residente em Curitiba, sagitariana até a última gota. Amante das artes cênicas e outras delicadezas. Numa curiosa junção de "pão de queijo com pinhão”, Cleo escreve para a nossa coluna de Teatro "Fale quando vale" com o olhar do expectador. O modo como uma obra é capaz de mobilizar, afetar e sensibilizar o outro, através de sua linguagem.