Nossas calçadas de petit pavé

Apenas 2% das calçadas de Curitiba têm como revestimento o Petit Pavé e apesar do pequeno percentual, esse é o tipo de calçamento que mais caracteriza a nossa cidade.

Por fazer parte do nosso dia-a-dia há tanto tempo, acabamos não percebendo a sua beleza e a diversidade de padrões que são adotados em vários pontos da cidade.

Tempos atrás no aeroporto Afonso Pena, vi na loja de artesanato um livro intitulado “Calçadas de Curitiba: Preservar é preciso” da arquiteta Lucia Torres de Moraes Vasconcelos. Nesse livro ela faz uma análise aprofundada, que tomou anos de pesquisa, sobre as calçadas de Curitiba, especialmente as com o mosaico português ou Petit Pavé.

Para fazer as fotos do mosaico dos padrões dos peti pavês das nossas calçadas, circulei entre a Praça Osório e a Praça Santos Andrade (e ruas adjacentes) registrando a variedade de padrões utilizados.

Um amigo arquiteto, ex-professor de arquitetura, inventor da cinemateca, Key Imaguire Jr, possui um blog absolutamente genial intitulado “Keynews – Coisas que ninguém quer publicar”. Numa de suas postagens, encontraremos uma instigante discussão a respeito das calçadas de Curitiba, onde a até então “definitiva” solução para o revestimento das calçadas de Curitiba, o “Paver”, é questionada.

Questiona-se inclusive o papel da imprensa e das autoridades municipais. A primeira por não levantar à fundo o papel histórico e inestimável valor do nosso “Petit Pavé” e a segunda por solicitar ao Patrimônio Histórico do Estado do Paraná que as calçadas das áreas históricas fossem consideradas  “fora de tombamento”. Ora, o que há de mais óbvio do que tombar um pavimento histórico (fruto de estudos do Paranista Lange de Morretes) da Rua XV e do Setor Histórico? Onde preservar então essa que é uma das marcas registradas de Curitiba, encontrada nas artes plásticas e até, tatuado na pele de apaixonados pela cidade?

Como disse no início, menos de 2% das calçadas de Curitiba são revestidas com “Petit Pavé”, será que precisamos mesmo matar parte da nossa história com justificativas que são frágeis do ponto de vista técnico (causam tropeços, são escorregadios, são mal colocados)? Dá o que pensar, não é mesmo?

Espero que o paver não varra da história de Curitiba esses belos mosaicos e convido o caro leitor que ao circular por Curitiba, principalmente no Centro e São Francisco, ande olhando para o chão e leia um pouco da nossa história escrita com essas pedras brancas e pretas.

Washington Takeuchi

O engenheiro elétrico Takeuchi, sempre se interessou por fotografia. Foram várias câmeras e muitas histórias registradas através do olhar treinado pelas referências colecionadas ao longo da vida. Estudou na Omicron Escola de Fotografia. Mantém como projeto autoral desde 2009 o blog Circulando por Curitiba, onde diaria e ininterruptamente publica suas fotografias, tendo sempre a cidade de Curitiba como o fio condutor. Teve fotos publicadas em livros, jornais, revistas e sites. Realizou em 2015 a exposição individual Circulando pela Arquitetura Modernista de Curitiba na Carmesim Espaço de Arte e Design, que passou também pela UTFPR, Shopping Jardim das Américas, Edifício Anita e Uninter. Material que rendeu o livro de mesmo título. Com sua inseparável câmera vai nos conduzir para todo canto e nos contar histórias da cidade de um jeito muito peculiar. Ah, sorte nossa porque Washington Takeuchi assina a coluna de fotografia do nosso site, chamada "Além do Olhar".